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O brasileiro Vick Muniz abre a temporada de artes em Veneza

Autorretrato feito em mosaico de recortes de revistas e fotografado.

A primavera no mundo das artes em Veneza, na Galeria do Palazzo Cini, em San Vio, inicia com as obras do artista brasileiro Vick Muniz. A mostra ‘Afterglow: Pictures of Ruins’ abre no dia 21 de abril ( um pouco antes da 57a Bienal de Veneza/13 de maio- 26 de novembro) e encerra no dia 24 de julho.

A oportunidade é ímpar para brasileiros que costumam ir à bienal veneziana. Entre maio e julho será possível conhecer o extraordinário trabalho de Muniz. O artista e fotógrafo paulista, que vive há 25 anos em Nova Iorque, atraiu a atenção da comunidade artística internacional com fotografias de trabalhos realizados a partir de técnicas variadas e materiais quase sempre inusitados – como a Mona Lisa feita de pasta de amendoim, o Che Guevara desenhado em geleia ou o retrato de Elizabeth Taylor montado a partir de centenas de pequenos diamantes.
Vick Muniz. Mona Lisa revestida com pasta de amendoim
Mona Lisa revestida com pasta de amendoim

As suas séries de imagens surpreendem quando insinuam o consumo exagerado, lixo e apresentam os pecados da humanidade como a obra-protesto, o barco de papel lançado no mar de Veneza durante a bienal de 2015.

Os artesãos construíram uma embarcação de 14 metros em madeira e inteiramente revestido com as notícias sobre a o naufrágio do barco Líbio na costa da Itália, carregado de imigrantes ilegais.

A ideia original era de servir de lembrete sobre a operação Mare Nostrum e as tragédias que poderiam acontecer de novo na costa da Europa.
Obra-protesto, Lampedusa, lançada no mar de Veneza por ocasião da Bienal de 2015
Obra-protesto, Lampedusa, lançada no mar de Veneza por ocasião da Bienal de 2015

A originalidade de sua obra lhe garantiu o reconhecimento da crítica e o estabeleceu como um dos criadores mais bajulados da arte contemporânea, presente no acervo dos principais museus do mundo.

Vik Muniz, filho de um garçom e de uma telefonista, criado em São Paulo, onde iniciou estudos de artes, mudou seu destino no momento em que tentou ajudar uma pessoa numa briga e levou um tiro. O autor do disparo foi a mesma pessoa que estava defendendo na briga. Para compensar o transtorno, o homem ofereceu-lhe uma boa quantia em dinheiro e foi o que bastou para financiar sua viagem a Chicago, em 1983. Dois anos depois ele foi para Nova York, onde vive até hoje.

O sucesso, no entanto, chegou somente há 14 anos, quando um crítico do New York Times foi conferir a exposição principal de uma galeria e se deparou com a série ‘Sugar Children’ alojada discretamente em uma sala dos fundos. Encantado, ele escreveu uma resenha que abriu inúmeras portas ao brasileiro: além de receber  um convite para participar da prestigiosa mostra New Photography, no MoMA, Vik viu suas obras serem adquiridas por museus como o Guggenheim e o Metropolitan Museum of Art.

A frase de Vik Muniz escrita no início da exposição mostra humildade de um mestre.  “Acredito que nem todas as pessoas sejam artistas, mas todas que desejarem ser, possuem tudo que o mundo tem a oferecer para que, um dia, elas se tornem, se eu pude, qualquer um pode”.

 

 

 

 

 

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História de Nicoletta. Da série Mentes Inquietas

 

Nicoletta é de mente inquieta com  sensibilidade muito além da razão.

Quando vivi entre 2009/2010 em Roma, na Itália, e morei na casa de Nicoletta Ferrari ( artista e restauradora), hoje com 80 anos e fiz parte do seu drama. A saudades pela filha, que faleceu aos 16 anos de câncer, e o conflito em aceitar uma percepção muito além de seu entendimento. Mente inquieta com  sensibilidade muito além da razão.

Nicoletta, assim como inúmeras pessoas nesse mundo não buscam uma resposta para o que sucede a eles. A senhora italiana, passado alguns anos da morte da filha, começou a acordar pela manhã e sentir a necessidade de escrever algo. Isto é, segundo o relato dela, sentia uma força nas mãos que a impelia a pegar um papel e um lápis e as frases eram ditas em sua mente.

Para ela, a mensagem era do céu, uma conversa com os anjos, ou uma criação de seu inconsciente.

Sensibilidade

A sensibilidade já existia na sua família materna, da parte de sua avó. No entanto, a sua mãe negava e proibia que se falasse alguma coisa de espiritismo na família porque tinha ficado chocada com uma situação que ocorreu quando era ainda criança. A nonna (avó) de Nicoletta, sua mãe, era médium e provavelmente realizava encontros espíritas na sua casa, ao ponto de seu avô, nonno (avô), construir uma mesa de madeira  pequena para ela realizar os trabalhos.

Nicoletta não sabia explicar que tipo de trabalho, se era incorporação ou a uso do copo virado para baixo dentro de um círculo com letras.

Conta ela que a experiência durou pouco porque a mesa, segundo relatos passados de pai para filho, depois de alguns encontros começou provavelmente a vibrar e “caminhava atrás da nonna”.  A situação ficou tão séria que o avô queimou a mesa e tudo voltou ao normal. A “nonna”morreu cedo, aos 52 anos.

E a mãe de Nicoletta,  talvez por recordar com medo e com a cabeça cheia de preconceitos  em relação a esse episódio, nunca deixou que qualquer assunto sobre espiritismo fosse tema de qualquer conversa dentro da família.

Herança da avó materna

Portanto, a sensibilidade de Nicoletta, provavelmente herdada da avó materna, foi sempre intensa e com muitas experiências mediúnicas, inclusive, depois da morte de seu pai.

O pai faleceu de câncer quando ela tinha 19 anos e para ela foi a pessoa mais importante de sua vida. Conta que até essa idade nunca tinha visto uma pessoa morta. “Era un uomo dolcissimo ( era um homem doce) ”. Honesto. “Non facceva niente sbagliato( não fazia nada de errado)”, comentava quando se referia a ele.

Depois da morte do pai, quando era ainda jovem e voltava do trabalho (tiveram dificuldades financeiras com a guerra), e chegava em casa à tardinha, vazia, sem ninguém, conta que a casa tinha um corredor enorme e ela saia numa desabalada corrida até seu quarto se jogava na cama e colocava o acolchoado em cima da cabeça porque tinha medo de ver coisas.

E via. Figuras de monstros horrendos que a deixavam aterrorizada. Um vez ouviu vozes e viu que era seu pai que a chamava no corredor. Outra  vez, o viu sentado ao seu lado no leito em que dormia.

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Nicoletta teve três filhos, dos quais dois estão vivos – Manoel e Francesca –  e uma filha, Laura, ou Laureta como ela a chamava, faleceu aos 16 anos de câncer no pulmão. A doença se manifestou na menina aos 9 anos e somente o pai teve conhecimento inicialmente da situação.

Nicoletta  soube bem mais tarde quando a doença estava avançada. Ela se questiona por isso, por não ter dado mais atenção desde o início e custa perdoar o pai da menina que escondeu o fato, e que, segundo ela, foi uma das razões que acelerou a separação do casal que já não estava bem no relacionamento afetivo.

Vida conturbada

O tempo em que Laureta desenvolveu a doença e fez tratamentos entre Itália e Estados Unidos, Nicoletta viveu uma vida agitada e conturbada, separada do marido e tendo um relacionamento com outro homem, que lhe deu todo o apoio e, inclusive, financiou o tratamento da menina. Os esforços para salvar a Laureta foram em vão e ela faleceu aos 16 anos. Essa dor Nicoletta jamais conseguiu superar e teve momentos de profundo desespero.

Depois de uns 10 anos  do ocorrido começou a receber mensagens. Estava neste período fazendo experiências com o pêndulo. “pendolino”.

Primeiro contato

O primeiro contato veio de seus antepassados, embora ela não se canse de afirmar que é igual a São Thomé e que tem os pés na terra e dúvidas quanto a sua mediunidade.

Mas a sensação que sente quando começa a escrever é como se estivesse sendo conectada a uma tomada de energia elétrica e sua mão começa a escrever a se movimentar no papel organizando ideias, frases e às vezes desenhos. Muitas vezes recebeu contatos da filha com desenhos dela e com recados  para “mimi”, a forma como Laureta a chamava .

As primeiras mensagens foram desta forma: “Vi è babo”(ele é pai), num italiano arcaico.

“Sono nonno Fausto padre di Renato”(sou o vovô Fausto pai de Renato)- dizia (o nome do pai de Nicoletta)  e a informação chegava a a ela não a identificando como filha dele e sua neta. Mas esses contatos não foram muitos e não marcaram com as mensagens.

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Ajuda do céu

O contato com os anjos, como diz, foi há quatro anos quando se encontrava no mais profundo desespero e num certo dia pediu ajuda ao “cielo” (céu) e começou a receber o comando de escrever. Os recados sempre veem em um italiano arcaico e agora são assinados por “Melancolai”. Em algumas vezes vieram anjos de nomes Anais, Anames e Ananase. Até brincava que eles poderiam ser os três mosqueteiros, mas eles responderam para ela não brincar com estas coisas.

De lá para cá, sempre recebe mensagens. Às vezes, não abre espaço para a possibilidade e outras consegue escrever. Em novembro de 2010, recebeu uma mensagem depois de muito tempo que não recebia desta forma. E a tradução é mais ou menos essa:

Amor nosso ainda no caos da lua negada. As outras vezes eram somente exemplos de uma percepção que teria refinado a alma da famosa lama que ainda recobre os recantos de vosso coração.  Somente a fé sincera será pura, exemplar e verdadeira, somente assim curaras a vossa alma muita fechada, egoísta e relutante diante da mudança.

Não adianta dizer ‘eu creio’, precisa mudar dentro, na profundidade, só então acharas que o mundo terreno não é vivido como foi ensinado a vós, mas exatamente ao contrário. Isso será esclarecido conforme for necessário para maior entendimento.

Acima de tudo com você mesmo, para depois curar com sinceridade as outras almas que tanto precisam de verdade e que esperam de vós a iluminação. Cuide da tua saúde e coloca em primeiro lugar o amor ao próximo – querida alma, eleva o teu espírito à sinceridade sem qualquer medo. com amor. Melancolai  feliz por encontrar-la”.

Em italiano

Amore nostro ancora nel caos della luna negata. Le altre volte erano soltando esempi di una percezione che avrebbe pou epurato l`anima dal famoso fango che ancora ricobre forme e cantucci del vostro cuore. Soltando la fede sincera sarà pura, esemplare e veritiera, solo cosi curerete le vostre anime  tropo chieuse ed egoiste e restie davanti al cambiamento.  Non basta dire “ido credo” bisogna cambiare dentro, nel profondo, solo allora vi accorgerete che il mondo terreno non va vissuto come vi è stato insegnato, ma esattamente al contrario.

Chiarito questo sarà necessario esempio di chiarezza prima di tutto con voi stessi per poi curare con sincerità le  atre anime tanto bisognose di verità che aspettano da voi l`illuminazione. Cura la tua salute e metti al primo posto l`amore per il prossimo – anima cara eleva il tuo spirito alla sincerità senza paura alcuna. Con amore.

Melancolai felice di averti ritrovata.

A resposta dos anjos

Nessa mesma mensagem ela fez uma pergunta sobre o seu futuro. A resposta foi essa:

“Futuro! Possa o céu torná-lo claro a você, nosso querido amor que incansavelmente pergunta por que, quando, como….

Os propósitos do nosso credo são na fé e a lua negada é a luz eterna…. que é a felicidade que tanto pedes para todo o mundo, mas que não consegues alcançar assim sem compreender bem a importância do teu medo quase palpável de ter entendido mal a importância de ser na Terra ou em outro lugar.”

Em italiano

“Futuro! Possa il cielo renderlo chiaro a te, caro amore nostro che torna instancabile a chiedere perchè, quando, come….. I propositi del nostro credo sono nella fede e la luna negata é la luce eterna….ossia la felicità che tanto chiedi per tutto il mondo, ma che non riesci a raggiungere cosi senza comprendere bene l`importanza della tua, quasi tangibile, paura di avere frainteso,  l`importanza dell`essere, in terra o altrove.

Padre Grabriele

O momento mais sereno de sua vida, depois da morte da filha foi quando recebeu o tratamento da imposição de mãos do padre Gabriele, na Praça Bologna, em Roma.

“Sono come  San Thome. Sono materiale. Piedi in terra. Non lo so chi é. Penso che puó essere extra-terrestre. Non sono pronta. É una prova e ho sempre paura.Credo che puo essere del profundo del inconscio. “La mano vá con la forza del pensiero”

‘Sou como São Tomé. Sou material. Pés na terra. Não sei o que é. Penso que pode ser extra-terrestres. Não estou pronta. É uma prova e estou sempre com medo. Creio que pode ser da profundidade do meu inconsciente. A mão vai com a força do pensamento”.

Amiga de infância

Sua amiga de infância por ocasião da morte de sua filha lhe telefonou e disse que estava resfriada e não podia visitá-la. Mas, na verdade, ela estava com câncer e não contou nada a Nicoletta.

Cerca de seis meses depois da morte de Laureta, Nicoletta teve um sonho, no qual, primeiro estava caminhando com sua amiga lado a lado, mas não via a sua face apenas que estavam de braço dado. Depois viu sua filha de camisola e de fisionomia branca como uma cera.

– “Me afastei da minha amiga e fui direto a minha filha e quando cheguei perto dela,  ela afastou-se de mim”. Mas, mesmo assim, Nicolleta abraçou-a com violência e disse:  “porque não me leva com você, foi quando Laureta ficou com o rosto colorido cheio de vida.

Um dia depois estava na casa de sua irmã contando o seu sonho, quando recebeu a notícia da morte de sua amiga que estava com câncer e por isto não tinha ido no velório de sua filha. O sonho foi na mesma noite que a amiga tinha falecido.

3Nicoletta encontrou o bálsamo para sua dor nas palavras dos anjos que a acompanham sempre que necessita de apoio. Todas as mensagens que recebeu até hoje estão sendo compiladas, já escreveu um livreto para ajudar pessoas que também estão passando por momentos de desespero.

As dúvidas ainda a atormentam por causa  do comportamento das pessoas que torcem o nariz quando começam a escutar histórias como a sua. Não acredito nisto, dizem… e a olham como se fosse uma insana! “É melhor nem falar muito sobre isto”, diz.

Olhar crítico

O preconceito e a ignorância do mundo materialista inibem as pessoas sensíveis de assumirem esta percepção que é além do normal.

Insanas? Ou serão Mentes Inquietas que possuem uma sensibilidade muito além da razão pela capacidade maior de se comunicarem em uma dimensão além da nossa?

A Ciência do  século XXI não pode fechar os olhos e rotular essas histórias de vida como fruto da imaginação, bobagens de pessoas confusas ou como parte de crenças religiosas. As respostas devem ser científicas e direcionadas à evolução da humanidade, sobretudo focalizadas na pesquisa da energia mental e nas revelações dos mistérios das espiritualidade,para que as sociedades modernas aceitem a comunicação além da matéria como uma capacidade normal do ser humano e não como algo piegas!

(Divulgação autorizada por Nicoletta Ferrari)

Auguste Rodin dá vida ao mármore na liberdade da poética

A mão de Deus. 1896? Foto Mari Weigert
A mão de Deus. 1896? Foto Mari Weigert

O efeito “não acabado”  impresso pelo estilo de Auguste Rodin (Paris 1840 – Meudon 1917), em algumas esculturas, envolve o interlocutor (aquele que dialoga com sua obra) a tal ponto que o deixa livre para criar a sua própria poética.

Desse modo, ao renunciar os traços transparentes e precisos dos mestres escultores clássicos do passado, Rodin revolucionou sua época e talhou no mármore uma forma que se tornou conhecida em todo mundo. A curadora Alice Magniem, do Museu de Rodin, em Paris, diz que: “Se a mão do escultor é fundamental para os seus interlocutores, é claro que Rodin mantém em separado as coisas: de um lado a criação e o modelo, dos quais têm plena responsabilidade, de outro a execução real que não hesita em envolver o cliente ao ponto de o fazer escolher o título que deseja.

Mais adiante completa que, “A mão aqui é o ponto crucial por que o papel (real e imaginário) que Rodin desenvolve está no centro da valorização ao realizar seus mármores, ou em oposição às críticas ao longo do século 20.

O Homem do Nariz Quebrado homenageia Michelângelo
O homem do nariz quebrado. Foto Mari Weigert

A ilusão da carne e da sensualidade e pelo qual são classificadas as obras do início da carreira, em estilo clássico, entre as quais aparecem o Homem do Nariz Quebrado, recusado pelo Salão de Paris de 1864, que homenageia o grande gênio Michelangelo.

O beijo é uma das obras mais visitadas no Museu de Rodin em Paris
O beijo. Foto Mari Weigert

No topo está o “Beijo”, que representa a escultura de dois amantes e  que escandalizou a França no fim do século XIX e ainda atrai visitantes para o Museu de Rodin, em Paris.

“O mármore é um material rico de referências na Antiguidade, da mitológica Grécia Antiga até a Itália renascentista de Michelangelo. Frequentemente, a tradição tem nos ensinado que a escultura tem por objeto o corpo nu e o mármore é considerado o material mais adaptado à sensação da carne. O mármore, sólido e frio, deve adquirir suavidade e calor e sob o cinzel do artista e transmutar-se em matéria palpitante. Para Rodin, o mármore não somente evocava o passado glorioso, mas permitia jogar com a luz e sombra, reentrâncias e saliências e é nisso que se encontra a força de Rodin e da sua revolução, em oposição a um neoclassicismo que  olhava a antiguidade como única matriz estética e formal”, diz a curadora do museu.

Amor e Psique. em torno de 1885. Foto Mari Weigert
Amor e Psique. em torno de 1885. Foto Mari Weigert

A segunda fase o artista está em plena maturidade a partir do ponto de vista da capacidade de elaboração das figuras que emergem dos brancos blocos de pedra. Nesta fase algumas obras que exaltam o amor e a sensualidade já deixam transparecer uma nova ideia de escultura.

A poética de deixar incompleta a obra está caracterizada na terceira fase que representa o triunfo do “não acabado”. É neste momento que Rodin encontra a chave para modernidade. Uma relação com o mármore diferente do que era visto até o momento. Uma relação que o seus contemporâneos o viam como um dominador pelo qual a matéria tremia. “A suas esculturas, longe de ser convencionais, dão vida e forma à modernidade, revivendo a matéria clássica destinada, por sua natureza, à imobilidade”.

Olhar Crítico

Os artistas expressam em suas obras a vida em que estão inseridos no momento. Angústias, anseios, exigências, necessidades, emoções passageiras, efêmeras, no contexto tempo, porém quase perenes nos efeitos da arte. Impossível ver a sensualidade dos temas escultóricos de Rodin  no mármore e não lembrar de Camille Claudel, sua aluna, modelo e amante.

A paixão expressa em Amor Fugitivo (1885)
Amor Fugitivo (1885). Foto Mari Weigert

A  paixão avassaladora vivida pelos dois intensificou as linhas de muitos de seus trabalhos e esta intensidade estão expressas em esculturas, como  O Beijo ( cerca de 1882),Amor e Psique(1885), Amor Fugitivo (1885),  Zeffiro e Psique (1900). Nestas obras o masculino e o feminino se fundem e fazem o mármore pulsar.

Adão e Eva ou Adão e Eva adormecidos. 1905 Foto mari Weigert
Adão e Eva ou Adão e Eva adormecidos. 1905 Foto mari Weigert

Mas a poética de Rodin muda depois de 1898, quando Camille decide terminar a relação entre os dois. As esculturas que foram produzidas a seguir estão totalmente fixadas no seu estilo: “não terminado”.  O Segredo (1909), Arianna (1905), A mãe e a filha moribunda (1910), Adão e Eva (1905), entre outras, deixam o espectador livre para realçar o tema.  Em suas esculturas, Rodin abre as portas da modernidade ao dar movimento ao  mármore duro a seu estilo.

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Monet e as ninfeias: 2017 com luminosidade e cor

Nada melhor que começar 2017 apreciando o belo, sobretudo a beleza das flores. Escolhemos as ninfeias pela extraordinária delicadeza de suas formas e cores.  A visita aos jardins de Monet é roteiro obrigatório para quem aprecia a natureza e deseja mergulhar em fatos e dados sobre a história da arte.

O fascínio do pintor impressionista francês Claude Monet (1840-1926) pela natureza  imortalizou a flor aquática, do gênero Nympheas e concedeu à humanidade o legado de apreciá-la ao natural no lago de seu jardim,em Giverny, em seu esplendor no interior da França,  a partir de junho até meados de agosto.

Os  oito gigantescos e famosos painéis  de “Ninfeias” encontram-se no  Museu L’Orangerie, em Paris, e foram pincelados por um Monet, quase cego, no final de sua vida. Sobre os painéis veja mais em Ninfeias para relaxar

Os oito gigantescos e famosos painéis de “Ninfeias” encontram-se no Museu L’Orangerie,
Painéis das Ninfeias pintadas por Monet, no Museu L’Orangerie

O passeio ao jardim e à casa de Monet, em Giverny, na região da Normandia, durante a primavera europeia, transporta o visitante ao que era o cotidiano do pintor francês, em meio  a panaceia de cores e perfume do local. Lá é possível entender a incessante pesquisa sobre a luz desenvolvida pelos pintores do movimento.

O impressionismo empurrou o pintor para fora de seu ateliê e lhe mostrou o mundo real que precisava ser pincelado e não aquele proposto pelos  delírios da aristocracia francesa e a competitiva e poderosa igreja católica européia (Itália, Espanha e Portugal). Leia mais sobre o assunto Impressionismo e a fotografia

 “ Escancararam as janelas e deixaram  entrar o sol e passar o ar”, escreveu Edmond Duranty em 1876, sobre as telas impressionistas. Ele era novelista e crítico de arte francês.

Jardim de Monet, em Giverny, Normandia
Jardim de Monet , Giverny

Um jardim encantado moldado pelo artista, que projetou-o como um quadro, com áreas de luz e sombra e cores harmoniosas, com a ajuda de seis jardineiros em tempo integral.

Ninfeias roas e amarelas do lago de Monet em Girverny
Ninfeias florescendo no lago do jardim de Monet

A partir de 1.900, o lago tornou-se o lugar favorito de Monet para pintar e esse hábito cultivou-o durante os 25 anos seguintes.  Seus quadros tornaram-se maiores e ainda mais impressionistas no final, principalmente quando sua visão começou a enfraquecer.

Ninfeia rosa do Jardim de Monet
NInfeia rosa do Jardim de Monet. foto Mari Weigert
Ninfeia amarela do Jardim de Monet.
ninfeia amarela do jardim de Monet. foto Mari Weigert

No começo dos anos 1900, o artista passava a maior parte do seu tempo pintando o jardim aquático de Giverny.

Em 1914, ele mandou construir um terceiro ateliê no jardim e seu amigo, o primeiro-ministro francês, Georges Clemenceau,  pediu que pintasse algumas ninfeias como presente para França. As obras foram terminadas em 1918 e entregues ao governo francês, porém Monet não viveu para ver a inauguração do museu com suas obras, em 1927.

Jardim de Monet em Giverny
Monet pintava os efeitos da luz na natureza

Monet procurava pintar o mundo do jeito que o enxergava, usando cores puras para mostrar as diferentes tonalidades que adquire à luz do dia.

O sol era o que mais fascinava o pintor. Chegou a retratar a mesma cena – uma catedral no norte da França – trinta vezes, só para mostrar o poder transformador da luminosidade.

Copia de um dos painéis exposto no Museu L'Orangerie
Ninfeias de Monet

Ironicamente, em razão de um ferimento nos olhos  aos 60 anos,  não conseguiu, a partir daí, perceber tão claramente esta luminosidade  buscada em seu trabalho, no entanto, o fato não prejudicou sua criatividade e produção, pois as Ninfeias e muitas de suas obras famosas foram produzidas depois.

Para chegar em Giverny saindo de Paris deve-se pegar o trem na Gare Saint-Lazare rumo a Vernon.  Depois de uma hora de viagem chega-se a Vernon. O  próximo passo é de procurar o ponto do ônibus que faz o trajeto a Giverny , também fácil porque está localizado próximo da estação de trem.  A passagem de trem Paris-Vernon ida e volta, trajeto de uma hora, custa 25 euros, para o ônibus deve-se reservar  8 euros e a entrada no local é 4 euros.

Para os leitores do PanHoramarte desejamos um novo ano moldado da forma como se deseja.  É preciso ter em mente a força do nosso livre arbítrio, que nos faz capaz de escolher, e se for para escolher, vamos alçar voos em busca de nossos sonhos dourados, na realização de projetos impossíveis que se tornam possíveis. Mesmo não chegando às estrelas, esses voos nos possibilitam olhar para trás e perceber o caminho iluminado pelo esforço de haver tentado!

FELIZ ANO NOVO!