Mari Weigert

Nossas florestas ardem e junte com elas desaparecem as plantas que curam, alimentam e fornecem o conhecimento a humanidade.

Os índios foram fiéis depositórios  deste conhecimento que vem sendo transmitido de geração para geração.  Os Povos da Floresta não escrevem as suas memórias ou documentam os seus usos e costumes. Vivem o presente e a sua sabedoria ancestral é passada como uma espécie de literatura oral de pai para filho. “Kuarajy reike mborayhukõ’eti ombohesakã”, dizem os Kaingang, Guarani ou Xetás. Significa: amar o poente dá a luz ao amanhecer.

 “Amar o poente é buscar o nascente, o nascer. O velho, o poente, é o dono da história, o saber. O homem é a aldeia, o agora. E a criança é a dona do mundo, o vir a ser, o amanhecer. O Guarani é um povo muito místico e todos os dias o pajé-cacique reúne sua tribo na Casa da Reza, para realizar seus rituais pedindo a Tupã a proteção para os mais novos e aos idosos, defumando com o petÿ ou petinguá (cachimbo) os sagrados lados da casa onde o sol nasce e onde se põe” (Fonte: indigenista Edivídio Battistelli).

Tela de Heinz Budweg

 

O Guarani é nômade e sempre caminha em direção ao Leste, em busca da terra sem males. . Na sua mitologia  o conceito terra sem males, o paraíso, é um lugar que é chamado “aguydjê, uvý-nõmimbyré,mbáeveráguasú,mará-ey ou yváy” , denominações com o mesmo significado, usadas pelas diversas tribos que compõem este grande grupo linguístico. Um mundo singular, onde o homem é totalmente livre e as regras da vida são trilhadas por tradições milenares, obedecidas espontânea e instintivamente por todos.

Alguns homens brancos brasileiros que viveram com os índios ficaram irremediavelmente apaixonados pela sabedoria das tradições e pela pureza de espírito destes povos da floresta. Os irmãos Villas Boas estão neste rol http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/em-xingu-os-irmaos-villas-boas-sao-herois-imperfeitos. Sem dúvida, são os mais ilustres. A eles devemos a criação da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e a demarcação de áreas para os índios viverem pacificamente, apesar de existirem ainda conflitos entre índios e gananciosos brancos.

 

O artista alemão Heinz Budweg, nascido e Berlim e desde 13 anos vivendo no Brasil, atualmente em São Paulo, colocou em pauta o tema índios brasileiros, principalmente da Amazônia, na agenda de arte internacional quando mostrou seu trabalho lá fora. Heinz foi responsável pelo texto e ilustração do material Xingu e seus mistérios, material distribuído por ele e pela Fundação Nacional do Índio, na década de 80. Magnífica pesquisa apresentando em ilustração e texto, as comunidades indígenas do Parque Nacional do Xingu e seus usos e costumes. Este foi apenas um dos diversos trabalhos artísticos e pesquisas do alemão-brasileiro sobre o Brasil e a sua gente.

O indigenista paranaense Edívio Battistelli é outro que tem um caso de amor incondicional à causa indígena. Entre 1994 a 2003, criou a Assessoria de Assuntos Indígenas durante o Governo Lerner e colocou na pauta governamental o tema índio no Paraná. Durante o período que atuou na Funai, hoje está aposentado, implementou projetos que garantiram buscam a dignidade e a  manutenção das culturas dos Guarani, Kaingangs e Xetás em território paranaense. 

 

 

22 de outubro de 2020

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