Arte de Weiwei coloca em debate a China e a liberdade de expressão

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O artista chinês Ai Weiwei é uma das vozes mais potentes na luta pela liberdade de expressão. Não economiza esforços para mostrar o mal que causa a opressão ao homem.

Sua arte é perturbadora e reflexiva quando aborda temas como perseguição política, guerra e direitos humanos.  As obras de Weiwei são contemporâneas nos recursos tecnológicos e ancestral na porcelana, bambu, papel, para confrontar e influenciar o espectador sobre as injustiças dos  poderes e de sistemas. 

Tive a oportunidade de visitar duas mostras em diferentes épocas e país. A primeira vez que conheci os trabalhos de Weiwei foi no Museu Oscar Niemeyer, Curitiba (Brasil): Weiwei, eu nasci radical –  mostra Raiz.  A outra agora em Lisboa, Portugal. 

Vivendo atualmente na região alentejana, o artista chinês criou Rapture, com obras inéditas como o painel Azulejo Odisseia, com a produção de Viuva Lamego e Papel Higiênico, um gigantesco rolo de papel higiênico em mármore também produzido em Portugal. 

Estão também presentes as obras Refugiados e Depois de Weiwei ver Juazeiro do Norte e Bicicletas e muitas outras impactantes para quem não está acostumado a refletir sobre arte conceitual.

Mas vamos falar da série S.A.C.R.E.D ( 2011-2013), através da qual Weiwei recria momentos passados dentro uma cela, durante 81 dias, em algum lugar secreto da China, sem até hoje ele saber o por quê de sua prisão.

É  uma  obra em  seis partes, feita em fibra de vidro envolta em ferro.  Apresenta o artista dentro da prisão, posto sob vigilância 24 horas por dia, acompanhado por dois guardas até mesmo quando fazia suas necessidades e dormia e era interrogado constantemente. 

S.A.C.R.E.D é uma obra símbolo da violência cometida contra o direito fundamental do homem de expressar suas ideias. Cada uma  das letras do título da obra representa um episódio de sua experiência: Supper (ceia), Acusadores, Cleasing (limpeza), Ritual, Entropia e Dúvida, que são também o nome de cada uma das seis caixas.

 

 

Não só a China ele critica como também todos aqueles que não respeitam os direitos humanos. Não é por menos que expõe a série (1995), em fotografia – Estudo de Perspectiva – tendo seu braço esticado e o dedo médio levantado frente aos locais de poder cultural e político em todo mundo, Torre Eiffel, Reichstag, entre outras.

Azulejo Odisséia e um painel gigantesco de azulejo que retrata a  crise dos refugiados relacionando seis temas. guerras, ruínas, cruzar o mar, campos de refugiados e manifestações.

A série de desenhos que compõe a Odisseia, obra de Weiwei sobre refugiados, vem de uma pesquisa que começa com os primeiros deslocamentos humanos descritos no Antigo Testamento e continua até os dias de hoje. Imagens da internet, mídia social e registros feitos pelo artista em campos de refugiados na África, Ásia, Europa se configuram em preto e branco no estilo inspirado nos baixo-relevos, cerâmicas e pinturas de parede da antiga Grécia e Egito. A sequência das várias cenas de fuga, migração, destruição, repressão e militarização foram impressas em papel de parede como um pergaminho, o que reforça a sensação de estarmos diante de uma odisseia contínua”. 

 “”.

 

“Como artista, sempre acredito na humanidade e vejo esta crise como uma crise minha. Vejo estas pessoas que vivem nos barcos como minha família. Poderiam ser meus filhos, poderiam ser meus pais, poderiam ser meus irmãos. Não me vejo diferente deles. Podemos falar idiomas totalmente diferentes e ter sistemas de crenças totalmente diferentes, mas eu os entendo. Da mesma forma que eu, eles também têm medo do frio e não gostam de estar embaixo de chuva ou ter fome. Como eu, precisam de uma sensação de segurança”.
– Ai WeiWei

Um artista como Weiwei é  exemplo de como  a arte não escolhe sistema político e nem impõe culturas. As obras de arte falam metaforicamente no silêncio de sua poética que choca, muitas vezes, mas nos obriga a pensar.  

“Sem Cérebro” é um autorretrato do artista feito em cortiça, sentado em uma cadeira e algemado.  

O Weiwei sem cérebro feito de material vegetal leve e isolante. Weiwei de 2021 talvez queira nos dizer algo. Não acham?

 

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Ai Weiwei: eu nasci radical

 

 

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

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