Encontrei uma foto no Instagram que me colocou a pensar...era um sapato com dentes.

Segundo o artista, (thedoorspellingthefloor) ele é um sapato de dentes, cantando. Acho o máximo o que a arte pode fazer dentro da gente. Apesar do sentido que o artista deu para sua produção, a minha elaboração foi bem diferente.
Me peguei pensando que por muitos anos da minha vida era necessário fechar os meus pés dentro de um sapato, munido ainda de uma meia para mantê-los aquecidos. A “meia era um meio” entre os meus dedos, que ficavam presos, além da minha pele que se descuidasse, criava fungos mal cheirosos gerando frieiras e chulé. Era necessário, após o banho tirar toda a umidade e muitas vezes usar um talco antisséptico para colaborar neste processo todo e para reforçar em invernos rigorosos, ainda fazia o uso do secador de cabelo para garantir a retirada da umidade entre os dedos. Uma rotina bizarra das pessoas que moram em Curitiba e que passa desapercebida, sem nenhuma importância a ser registrada.

Por outro lado, este “sapato de dentes, cantando” me fez refletir, o quanto tudo isso passou ser diferente na minha vida.

Quando cheguei em Natal, toda esta “bizarrice” para os cuidados dos pés deixou de existir na minha vida. Nos anos que trabalhei em empresa percebia as mulheres chegando para trabalhar de chinelos e só vestindo seus sapatos de salto altos ou sandálias, quando chegavam dentro do ambiente laboral. Eu mesma, passei a usar sandálias, sapatos abertos ou sapatilhas frescas e bem confortáveis

https://www.instagram.com/thedoorspellingthefloor/

Mas meu principal “meio de transporte” para os pés sempre foram os chinelos. Em 10 anos que moro no nordeste usei mais chinelo do que todo o resto da minha vida…e olha que já cheguei aos 40. Com certeza não usei tanto chinelo nem na minha “infância gelada”.
A vida no nordeste para mim passou a ter uma leveza diferente. Me embalo na rede, sinto a brisa do mar e tenho o privilégio de um pedacinho da vista do mar de todas as janelas do meu apartamento. Me separei daquilo que me desgastava, fiz escolhas para ter qualidade vida e os sapatos ou chinelos para manter em liberdade os meus dedos dos pés, também fazem parte disso.
Tudo ou apenas isso, me faz pensar no quanto era assustador me dar o direito de concretizar os meus sonhos, como por exemplo morar na praia, fazer uma viagem deliciosa, trabalhar naquilo que sou apaixonada e ainda escolher os horários que eu quero para me dedicar às minhas atividades. Aposto e apostei no meu DESEJO, ele tem “movido montanhas” na minha vida. Mas na minha trajetória só pude me dar conta disso no meu percurso de análise, no “meu divã”.
Então que venha a “liberdade dos meus pés”, a cada dia mais, que venha a qualidade vida!

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