Festival de Brasíllia do Cinema Brasileiro reforçou a resistência contra o caos cultural no país

Ter banheiro em casa. Ô, Bença
10 de dezembro de 2020
Sem verdades absolutas. Feliz Natal!
24 de dezembro de 2020
Exibir tudo

Com uma programação imperdível e participação de cineastas que marcaram época na história da sétima arte, a realização do 53o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi bálsamo num momento tão obscuro para a cultura no Brasil.

Além de ser o mais antigo do país, este ano o Festival de Brasília nos deu uma incrível demonstração de garra e resistência ao ecoar pelo mundo afora o aniquilamento silencioso de nossa cultura e arte.  Sobretudo  a destruição da nossa memória audiovisual, como é o caso da Cinemateca Brasileira. 

O ato, sem dúvida, foi heróico por parte da curadoria, cineasta Silvio Tendler e de todos que participaram da organização, para propor um Festival com esta dimensão e importância em plena pandemia.  Pela primeira vez o Festival foi realizado em plataforma online, oferecendo ao público a oportunidade de participar de todas as etapas da programação, encontros (lives), oficinas e exibição de filmes.

“Tendler destaca que esta edição traz a meta de ver o cinema brasileiro respeitado e preservado. ‘Nós precisamos manter o cinema, a cultura e a arte mais vivos do que nunca. Nossa luta continua”’. fonte: Correio Braziliense

Mas o mais importante disso tudo é o fato de que o Festival de Brasília manteve o seu viés político em dia.

“O Festival de Brasília é o mais importante, mais antigo e mais político dos festivais brasileiros. Ele não poderia deixar de existir no ano de 2020, diante do pandemônio das mais de 180 mil mortes por conta da covid-19, do fecho das instituições culturais, do fim do Ministério da Cultura. Por todas essas questões, devemos continuar sobrevivendo, existindo e dizendo ‘Presente!’. , afirmou Silvio Tendler, na entrevista para o C7nem

 

 

A Cinemateca Brasileira foi tema de abertura do Festival. Nada mais justo homenagear a “mãe de nossa memória” como disse Silvio Tendler na abertura do encontro, destacando a condição de descaso do governo federal pelo acervo e pelas instalações deste importante patrimônio histórico.

“A Cinemateca Brasileira atravessa a crise mais aguda de sua história. Seu acervos e suas instalações correm riscos terríveis agravados pela lentidão como o governo se move para afastá-los”, afirmou o cineasta  Roberto Gervitz, que foi o mediador deste encontro magnífico que contou com a participação de Cacá Diegues, Eduardo Escorel e outros gigantes da cinematografia brasileira.

O Festival encerrou no dia 21 de dezembro com a premiação. Durante a semana de 15a 20 de dezembro foram realizadas 10 mesas de debates, três oficinas e três mostras de filmes.

“O grande vencedor deste ano foi o longa-metragem Por onde anda Makunaíma?, de Rodrigo Séllos, que conquistou o Candango de Melhor filme da Mostra Oficial, segundo o júri. Na categoria de curtas, o premiado foi República, de Grace Passô. Apesar de terem sido os favoritos da comissão julgadora, entre o público a premiação ficou diferente: Longe do paraíso, de Orlando Sena, foi escolhido o melhor longa-metragem; e Noite de seresta, de Muniz Filho e Sávio Fernandes, o curta-metragem.

Na Mostra Brasília, Candango: Memórias do festival, de Lino Meirelles, se sagrou o vencedor do júri popular e também do oficial entre os longas-metragens. Já entre os curtas, os jurados escolheram O outro lado, de David Murad, enquanto o público optou por premiar Eric, de Leticia Castanheira.” Fonte: Correio Braziliense

O Festival foi um sucesso e culminou numa festa online  ajustada às exigências de um tempo de pandemia. A entrega do Troféu Candango aos melhores filmes foi o apogeu do evento e uma conquista para os organizadores e ao curador Silvio Tendler. 

Na 53a. edição todos os filmes selecionados para as mostras Oficial e Brasília foram reconhecidos financeiramente, mesmo que não tenham recebido o Candango. Os longas R$ 30 mil e R$ 15 mil, a depender da  mostra; e curtas, com R$ 15 mil e R$ 5 mil, também de acordo com as mostra

 

1_cbifot230520170680-6448076
Ken Loach vencedor da Palma de Ouro e do Prêmio do Júri em Cannes - (crédito: Alberto Pizzoli/AFP)

O premiado cineasta britânico Ken Louach, que dirigiu “Eu, Daniel Blake” falou sobre o cinema como ferramenta política no Festival de Brasília.  Veja ao lado o que pensa Ken Loach sobre cinema e a atual conjuntura política no mundo. 

 

Comentários Facebook

comentarios

Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *