‘Poesia Visual é a liberdade da palavra’

“Madonna que chatice são suas aulas de pop arte agora”
25 de abril de 2019
‘Vida’ é conversa musical sobre a trajetória de Puppa Santana
10 de maio de 2019
Exibir tudo

Foto retirada da internet publicada no site da Oi Futuro

A Poesia Visual materializa as rimas do poeta como se palavra adquirisse vida fora do papel. A alquimia só é possível com uso da tecnologia que cria a realidade virtual. Isso não significa o fim do poema declamado ou lido em um deleite solitário, apenas um jeito inovador de sentir intensamente as cismas do poeta sonhador.

Quando a amiga VeraLu Andrade começou contar sobre o projeto Poesia Visual e Digital que desenvolve no Rio de Janeiro, lembrei da exposição sobre Fernando Pessoa que visitei no ex, ‘in memorian’, Museu da Língua Portuguesa. Inesquecível e difícil de verbalizar a emoção de penetrar na ‘alma das palavras’ dos poemas de Pessoa, visualizando sua figura projetada e palavras que se desfaziam no ar, num contraste de luz e sombra. Cria um ambiente tão envolvente que nenhum adjetivo que colocar aqui irá descrever a sensação.

‘Palavra-Movimento’

Um ambiente tão sedutor como ‘Palavra-Movimento‘, do bailarino, coreógrafo e poeta Eduardo Macedo, que acontece no Centro Cultural da Oi Futuro, no Rio de Janeiro. A exposição é a mais recente produção do projeto Poesia Visual e Digital, cujo curador é Alberto Saraiva e patrocinador é a própria Oi Futuro. É ele que diz: Poesia Visual é a liberdade da palavra.

Eduardo Macedo criou 17 poemas relacionados à palavra. Em 10 monitores com áudios que integram o espaço em som ambiente, Eduardo dança e coreografa as letras com o corpo.

“A poesia, hoje, rompeu os limites que continham sua liberdade. A produção atual unifica o poema como coisa visual, objetual, sonora, gestual e textual. Esse fluxo é uma das principais características da poesia de nosso tempo,” afirma o curador.

No papo vai e papo vem com VeraLu, descobri que o projeto tem bons anos de trabalho árduo e criativo. São 120 títulos já publicados. Além das mostras com recursos digitais, publica-se também o que foi feito durante o ano. Um testemunho.

Ganhei dela dois livros magníficos, os últimos saídos do prelo, que mostram parte das exposições realizadas e identificam os poetas. Em um deles, no volume Poesia Visual 4, Antonio Cícero, filósofo, escritor e poeta, junto com Jorge Salomão, também poeta, compositor e diretor de teatro, assinam o Manifesto Supernovas. Nele, os dois reforçam o papel da poesia na contemporaneidade.

“A valorização da Ação, da Produção, da Experimentação, da Contradição e da Novidade, que tantos deploram, é a própria evidência do triunfo da Poesia em nosso tempo. Poesia é fazer, produzir. Produzir não é reproduzir prosaicamente o que já existe. Por isso, nenhuma outra época da história e nenhuma outra sociedade jamais foi tão rica de possibilidades criativas quanto esta, MOSAICAL, que exalta o tempo, a transformação e e as diferenças, e NÃO, a identidade estilística; NÃO, a estabilidade do bom gosto, NÃO, a ditadura do passado. O passado, como a natureza, não é para nós nem totem , nem tabu. Ambos são matérias-primas e alimentos. Podemos e devemos usá-los. Mas não podemos nem queremos voltar atrás. O nosso caminho é cada vez mais radical, mais crítico, mais reflexivo. Hoje, mais do que nunca, a arte é combate, liberdade e transformação do mundo”.

Liberdade

A arte em todas as suas manifestações liberta o homem da vida inodora e insonsa.  Ao ler este Manifesto lembrei das palavras da cineasta francesa Claire Denis. “A vida é real e precisamos acrescentar bastante fantasia para aguentar o que é insosso nela”.

Quando vivemos o cotidiano sem ampliar o olhar com poética artística, não vivemos em plenitude. Somos marionetes nas mãos de um poder que tem como foco uma sociedade sem lirismo, sem diferenças, controvérsias e sem transgressão.

Os fracos têm medo dessa liberdade que aflora no coração dos poetas, artistas, que são testemunhos de seu tempo. Não foi ontem, nem hoje e nem será amanhã que veremos a arte sucumbir à mediocridade.

Salve a Poesia Visual que se conecta com as diferentes linguagens virtuais!

 “Não estamos aqui para aceitar a divisão de trabalhos que tentamos nos impor, mas para derrubar as cercas de arame farpado do APARTHEID CULTURAL (…)”

Palavras que não perderam a atualidade num momento em que a cultura e educação no Brasil correm riscos de retrocesso.  Jorge Salomão e Antonio Cícero publicaram o Manifesto Supernovas em 1985 e suas reflexões permanecem para sempre!

Abaixo o Apartheid Cultural!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comentários Facebook

comentarios

Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.