O fascínio de Dalí pela pintura em três dimensões

Água e argila garantem beleza e equilíbrio ao corpo
19 de dezembro de 2016
Natal sem verdades absolutas. Simplesmente amor
23 de dezembro de 2016
Exibir tudo

Com ajuda de um dispositivo os espectadores poderão distinguir melhor a tridimensionalidade da obra. Foto via El País.

A fascinação de Salvador Dali por criar ilusões óticas utilizando a ciência e a técnica é o destaque da mostra apresentada na cidade natal do artista em Figueres, na Espanha. Dalí. Estereoscopias. A pintura em três dimensões reúne seis dípticos, isto é, seis pares de telas em óleos, no Teatro-Museu Dalí. As telas foram criadas entre 1972 a 1978 e apresentam os resultados das invenções do gênio do surrealismo.

O interesse nas técnicas e inovações matemáticas levou o pintor a desenvolver uma atenção especial para a tridimensionalidade, impulsionada pela necessidade de mostrar às pessoas maneiras de diferentes de ver a realidade.

No final de 1964, centra-se na investigação sobre o chifre de rinoceronte e as curvas logarítmicas daí resultantes da estrutura dos olhos de moscas. Isso o levou a dizer que, graças a esta pesquisa descobriu a pintura na terceira dimensão.

Quem o estimulou foi o pintor e gravador holandês Baroque Gerrit Dou (1613-1675) numa exposição que visitou em Paris, cujas telas eram duplicadas, mas na verdade, não eram simples cópias, elas se completavam juntas. O estudo das obras de Dou e das técnicas estereoscópica o levou a deduzir que o autor usava lentes especiais e espelhos para criar uma só pintura, convertendo-se no iniciador dessa técnica.

Nesta base Dalí começou a perceber a mesma imagem a partir de dois pontos focais diferentes, produzindo efeitos tridimensionais no olho de quem vê. Muitas das obras nunca foram exibidos juntas, fazendo com que a exposição seja um evento excepcional em Figueires. Ao lado de cada trabalho foi instalado um dispositivo que permite aos espectadores distinguirem mais facilmente a tridimensionalidade, uma pequena ajuda que certamente não iria incomodar um artista tão inovador.

Fonte: El País

Comentários Facebook

comentarios

Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

Os comentários estão encerrados.