‘A arte existe porque a vida não basta’

La tragedia de la espera es llegar a lo que se estaba esperando
5 de dezembro de 2016
Imagem internet. Foto retirada da Uol
Ele veio para ficar
12 de dezembro de 2016
Exibir tudo

A frase dita por Ferreira Gullar tem poética.

Contém uma tese em poucas palavras, leves, belas e bem escolhidas, provavelmente a mais curta e completa tese sobre como a arte envolve o significado da vida.  ‘A arte existe porque a vida não basta’.

Ao poeta que nos deixou a nossa homenagem, embora tenhamos  sempre a sensação de estarmos junto a ele quando nos envolvemos com as rimas de suas poesias, com os conteúdos de seus textos e críticas. Esse Ferreira Gullar será eterno, pois a história que viveu a contou em prosa e verso.

Poema Sujo

“Poema Sujo”, o mais célebre, escrito no exílio em 1975, longo, de quase 100 páginas foi criado compulsivamente da necessidade, na época, de ser “como um testemunho final, antes que o calassem para sempre”.

Nas artes era crítico sem ‘papas na língua’ e sem medo de dizer aquilo que pensava. Das tantas bienais que viu a desse ano “Incerteza Viva” falou em sua coluna na Folha de São Paulo sobre a temporalidade da arte contemporânea. Obras efêmeras, as quais tinha dificuldades de aceitar.

Sobre a crítica de arte explicou o porquê dela não existir mais. “Uma arte que não se rege por qualquer princípio, e não é fruto do trabalho elaborador de uma linguagem, não pode ser analisada e nem ser objeto de qualquer juízo de valor, ou seja, de qualquer juízo crítico. Talvez por isso, a crítica militante não exista mais”.

Entre seus últimos artigos da Folha, em agosto, falou de novo sobre arte.“A arte deve ser feita para dar alegria às pessoas, não para chocá-las. Encerrou ele: “E é sob esse aspecto que tal questão me interessa. Como já disse, um quadro, uma gravura ou um desenho pode nos facultar prazer estético –como, por exemplo, algumas gravuras de Marcelo Grassmann ou certos quadros de Iberê Camargo, ainda que o que nos mostrem seja uma cena cruel ou sofrida. Tudo bem, mas a questão que se coloca é a seguinte: não seria mais gratificante, para quem os vê, poder fruir deles, juntamente com a beleza formal e a realização artística, uma visão plena de vida e felicidade?”

Olhar Crítico

Ao homenageá-lo e reconhecer como um grande pensador, não significa que concorde com suas posições em relação  a arte contemporânea e a necessidade da arte e beleza estarem sempre juntas.

 

 

Comentários Facebook

comentarios

Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

Os comentários estão encerrados.