Pietà e a perfeição divina da morte e da vida

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Uma das mais famosas obras de Michelangelo Buonarroti (1475-1564), Pietà, que se encontra na Basílica de São Pedro, no Vaticano, representa a verdadeira misericórdia de uma mãe. Na magnífica obra de mármore de Carraro, o mestre italiano esculpiu em cada ângulo da pedra, não a dor e o tormento de uma mãe ao ver o seu filho ser torturado e morto injustamente, mas a juntas, a vida e a morte, representando a perfeição divina.

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Isso explica a forma piramidal da base da escultura subindo em espiral até a cabeça da Virgem Maria. As dobras das vestes de Maria são muito abundantes e tem o objetivo de ressaltar a beleza e o refinamento das formas do corpo nu de Cristo. A perfeição do vulto de Nossa Senhora supera as características de uma imagem terrena e alcança a beleza ideal. Isso explica a juventude da fisionomia de Maria em contraste a idade de Jesus.

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Segundo estudiosos, a figura de Maria se assemelha a uma jovem de 16 anos para simbolizar a pureza. A beleza da fisionomia foi talhada no mármore com tal refinamento que está isenta de defeitos e dá à figura uma suprema dignidade. O sentimento de misericórdia definido por Michelangelo remonta de sua formação criativa em Florença, que é visível em toda a poética do mestre que começou no início dos anos 500 e perdurou por
toda a sua vida.

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O grupo da Mãe e Filho foi esculpido logo após o artista ter produzido a imagem pagã e sensual de Baco. Pietá tem fortes detalhes anatômicos, principalmente no acabamento das pregas da veste, com efeitos translúcidos e ritmo monumental, em perfeição técnica deslumbrante. A faixa que se estende do peito da Virgem escrita em latim – “Michael Angelus Bonarotus Florent Faciebat – é prova da única obra assinada por Michelango.

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Segundo Giorgio Vasari (1511-1574), pintor que publicou uma obra sobre artistas de sua época, conta que quando o Michelangelo era indagado sobre a representação da juventude de Maria, ele respondia que a castidade mantinha as mulheres jovens. A virgindade de Nossa Senhora, a pureza da concepção de Deus, a espiritualidade são expressas de acordo com Michelangelo, mediante a corruptilidade da carne. Por isso, Pietá não caracteriza o hedonismo , beleza prazeirosa, ao contrário, representa o sentido mais profundo do neoplatonismo e classicismo florentino: a forma serena e equilibrada que pode acabar por questões espirituais – pureza e pecado.

 Informações úteis:

michelangelo_buonarroti.historiaweb.net
it.wikipedia.org
www.dec.ufcg.edu.br
www.romaviva.com

Fotos por Mari Weigert.

*releitura matéria já publicada no antigo PanHoramarte

 

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

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