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Maravilha de beleza e tradição no carnaval das rendeiras e grupos de cultura da Vila de Ponta Negra

Um verdadeiro espetáculo de cor e tradição foi a 'Folia de Rua' deste domingo (15/26), no carnaval da Vila de Ponta Negra, em Natal, Rio Grande do Norte.

Uma alegria que contagia com o batuque e as cantorias que faziam a todos teimosamente ‘sacudir as cadeiras’, com o samba no pé. A folia de rua foi geral.

Mais do que nunca os grupos de cultura da Vila de Ponta Negra  reforçaram a ideia de que carnaval é uma festa que nasce do povo, cresce nas ruas e se reinventa a cada geração. 

Ele não pertence apenas aos grandes desfiles ou aos calendários oficiais: pertence a quem canta, dança, improvisa fantasia com o que tem à mão e transforma o cotidiano em brincadeira.

Quando uma comunidade, uma cidade, ou um bairro acolhem o carnaval como manifestação cultural, acolhem também a imaginação, a diversidade e o brincar coletivo. Os blocos, as marchinhas adaptadas, as fantasias são pequenas lições de pertencimento: cada pessoa aprende que a festa se constrói junto, que ninguém fica de fora e que a criatividade vale mais do que qualquer luxo.

Assim mostrou a Vila de Ponta Negra, em Natal, no Rio Grande do Norte. As rendeiras, junto com as instituições culturais decidiram sair pela terceira vez consecutiva pelas ruas e becos da comunidade que vive sufocada entre a especulação imobiliária, pesca e trabalhos artesanais.

Com certeza todos responderam a chamado dessas respeitaveis senhoras que fazem parte do bloco “A Burrinha Pintadinha e o Jaraguá”. E o ponto de partida foi a Tapiocaria da Vó, onde elas reúnem e nesta festa colorida estiveram presentes vários:

Os bonecos gigantes representando o rei e rainha do Congo, os blocos Folia de Rua, Turma do Mar,  Pastoril Jardim das Flores, entre outros. A Turma do Mar, da qual faço parte é um bloco tradicional de nadadores de Natal, que praticam nado em águas abertas, principalmente na enseada do Morro do Careca, próximo a Vila.

Esse carnaval vivido entre risadas e serpentinas, carrega a essência da festa popular brasileira. Ele ensina sem discursar, educa sem impor, conecta gerações sem precisar explicar. É ali, nesses gestos simples, que o carnaval mostra sua força mais bonita: a de ser ponte entre cultura, infância e comunidade, celebrando o direito de brincar, ocupar espaços e viver a alegria como algo compartilhado.

Porque, no fim, o carnaval é isso — uma festa que contagia, inclui e lembra, desde cedo, que a rua, a escola e a vida também podem ser lugares de encontro e invenção

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Breslau ou Wroclaw? Por que fui visitar uma cidade com mais de uma alma

Para saber como sobreviveu ou como vive hoje uma cidade que antes tinha alma alemã/prussiana e hoje é polonesa!
Mas a grande motivação era saber como era a terra onde minhas bisavós nasceram quando era Breslau.

Hoje é Wroclaw, polonesa, anexada à Polônia depois da II Guerra Mundial. A cidade mudou de nome, mas não o chão. A língua muda, as fronteiras também, no entanto o rio Oder continua correndo no mesmo lugar.

O mais interessante dessa história ancestral foi a trajetória de Anna Paulina Hanzel Weigert, que mais chamou atenção e motivou a mim e minha filha a visitar uma cidade que antes era multicultural. Viviam nela alemães, judeus, polacos, tchecos, num local que proliferava o comércio, universidades, música, cafés e arquitetura.

Anna Paulina tinha 32 anos quando saiu de Breslau em 1880, na Breslávia, área que fazia parte do Império Prussiano. Com seus quatro filhos, a mais velha Marie ( com nove anos, tornou-se minha bisavó materna) pegou um navio e foi atrás de seu marido Hermann no Brasil, precisamente em Morretes, onde ele estava trabalhando como ferreiro na Compagnie Générale de Chemins de Fer Brésiliens, para fazer os rebites na Estrada de Ferro Curitiba/Paranaguá e que não dava notícias há quase um ano.

Vocês podem imaginar uma jovem mulher sair de sua casa,  de uma cidade estruturada e encontrar seu marido, sem se comunicar com ele, num país distante e diferente! A sua coragem me impulsionou a saber de onde ela saiu e até o por quê realmente?

Ao conhecer Wroclaw, antes Breslau, não encontrei nada que lembrasse a passagem dela na sua cidade natal. Apenas uma rua dedicada aos comerciantes de carne (o seu pai era açougueiro e quando Anna foi embora, ele e sua mãe já tinham falecido). 

As bisavós Anna Pauline (32) e sua filha Marie (9 anos) e mais três crianças não fugiram da catástrofe da guerra. Provavelmente, o seu marido e ela foram em busca de uma vida melhor.  Fugiram do tempo, da pobreza e da falta de futuro. Mas eram demais de aventureiros, não acham?

Bem, história de família à parte e vamos focar em Wroclaw.

Após a segunda guerra Breslau deixa de existir oficialmente. Wroclaw passa a ser polonesa. Os alemães são expulsos, poloneses são deslocados do leste e chegam numa cidade que tinha alma estrangeira e foi reconstruída sobre ruínas alheias.  Wroclaw não é cidade, é sujeito; já foi alemã, já foi quase destruída, hoje é jovem, cultural e cheia de memórias.

Anna Paulina não viu a metamorfose de sua cidade natal, pois morreu em 1933. Mulher audaciosa que não pensou duas vezes em ir em busca de sua vida ao lado do marido, vencer um oceano misterioso e as incertezas de um país desconhecido e se instalar num acampamento.

 

Instalação do artista polonês Jerzy Kalina, Transição 1977-2005, colocada na calçada de uma das principais avenidas de Wroclaw. cruzamento das ruas Świdnicka e Piłsudskiego. Jerzy Kalina registrou magnificamente esse eterno caminhar dos povos, que são manipulados como se fossem parte de um teatro de fantoches.

Breslau ficou para trás como ficam as cidades que não cabem na mala – inteiras, silenciosas…. Os novos moradores se instalaram nas cinzas daqueles que se foram sem deixar pegadas.  A partir daí construíram uma nova história.

Pouca coisa sobrou de Breslau de 1800. Apenas uma rua rregistra o que foi o passado, com seu comércio de carne, além do centro histórico com a Praça do Mercado. Nesta rua provavelmente, meu tataravô mantinha o seu açougue. Hoje, as pequenas habitações são comércios de souvenirs e ateliê de artistas.

Wroclaw hoje é uma cidade linda, com gastronomia polonesa (deliciosos pieroguis), restaurantes, bares, hotéis e uma excelente cerveja e belos passeios em locais históricos. 

Um divertido jogo é achar os anõezinhos de Wroclaw. Hoje estão espalhados pela cidade (mais de 600) diversas esculturas de gnomos representando profissões. Eles têm origem em um movimento de resistência chamado “Laranja Alternativa”dos anos 80, que usava grafiti de anões para desafiar o regime comunista.

O rio Oder continua no mesmo lugar e agora com muitos passeios de barcos para apreciar os locais turísticos sob as águas. Tão velho e cheio de histórias míticas como a lenda do dragão de Wroclaw que ensina que a astúcia vence a força bruta. O dragão do rio Oder foi vencido pela inteligência de um jovem artesão que teve a ideia de enganar o monstro, fantasiado também de dragão oferecendo-lhe um animal recheado de substâncias inflamáveis. Após comer, o dragão sentiu uma sede insuportável e bebeu tanta água do Oder que explodiu. Uma horripilante história, diz ser verdadeira, contada pelos guias turísticos: depois da Segunda Guerra Mundial, um açougueiro da região foi descoberto como ‘serial killer’, ao matar habitantes da região e vender carne humana no açougue. Contam que a cidade tornou-se vegetariana por longa data.

Breslau/Wroclaw tem mais de mil anos de história. A cidade ficou com suas memórias e as mulheres da minha família foram embora sem deixar rastro! 

 

texto: Mari Weigert. Pesquisa IA, Google, Saga dos Imigrantes (1993) – Eno Teodoro Wanke 

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Arte de fazer arte na vida das crianças

Quando eu era pequena meu avô se reunia com os netos e netas em uma mesa repleta de lápis coloridos e papel em branco para que nós pudéssemos dar asas à imaginação.

Alguns “garranchos”saiam, como no meu caso, cujo talento nunca foi para o desenho. Por outro lado, ilustrações fantásticas saiam, como de minha irmã que fez desta arte o seu ofício, ou do meu primo, que também tinha mãos mágicas para conduzir as pontas dos lápis.

Agora o tempo passou e o meu avô já está em outro “plano astral”, mas deixou esta herança linda da arte do desenho… sim ele era um artista…a casa deles tinha as paredes cobertas pela telas assinadas por ele, que tinham um estilo um tanto eclético, porém acadêmico.

Era um momento lindo e que deixou na minha memória boas lembranças do meu avô, de quem me lembro com carinho quando penso nisso.

Minha mãe, que apesar de ter talento para escrita, também sempre arriscou a arte de desenhar e hoje compartilha momentos assim com netos e netas, transferindo este jeito de amar fantástico, como uma herança muito preciosa.

O amor é incrível, delicado e criativo… deixa marcas no papel, deixa marcas na memória, enfim deixa marcas na vida… e eu quero que esta força inspiradora chegue até você para transformar sua trajetória também…. por isso escrevo aqui, falo aqui e compartilho o que penso e também minhas memórias. 

Desejo uma ótima semana para você cheia de amor!

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Menos verdades simplificadas, respostas rápidas e mais pensamento crítico em 2026

Mais pensamento crítico em 2026 para dar um basta nas mentiras que circulam pela internet. Pensar criticamente é um gesto de resistência e de responsabilidade social.

O pensamento crítico é uma força silenciosa, que não se impõe pela violência,e mesmo assim provoca a transformação social. Pensar criticamente é fundamental em tempo de inteligência artificial – que deixou de ser uma ferramenta experimental para tornar-se parte integrada no cotidiano das pessoas, tanto profissional como na vida privada.

Esse cérebro robô que simula a mente humana, uma base de dados acumulativa e não crítica, portanto desprovida do dom humano de discenir o que é verdade ou mentira. Mas a pergunta é: como a IA filtra, quando a mentira circula tanto que se consolida como verdade na base de dados e…. na cabeça oca de gente que pensa pouco?

É aí que entra nossa capacidade de questionar, analisar e compreender as estruturas que organizam o mundo. 

Pedra da Boca, Araruna/PB
Filosofia do ser, da percepção e da expressividade do ser - Tanka Fonta

Não foi sem motivo que coloquei o famoso ponto turístico da Pedra da Boca, localizada em Araruna na Paraíba, quase coladinha no município de Passe e Fica, no Rio Grande do Norte para ilustrar o último artigo de 2025. E mais ainda este toten imponente que está instalado na 36a Bienal de São Paulo, do artista camaronês Tanka Fonta. 

Todas as duas insinuam uma leitura mais sutil sobre a questão da comunicação. A Pedra da Boca, uma rocha rígida de forma arredondada como uma cabeça, que o tempo esculpiu uma fenda semelhante a uma boca. Neste caso, fica a critério do observador ligando ao assunto sobre pensamento crítico e o que falamos. A rigidez, a pedra e a comunição.  

A viagem do artista Tanka Fonta no conceito de sua obra é profunda. “Fonta apresenta o conceito de ‘perceptividade intercampos’ – em que campos de percepção se sobrepõem nos âmbitos molecular, sonoro, intuitivo e filosófico. O Brasil é apresentado não como um cenário local, mas como um espelho da condição humana, convidando o público a uma reflexão poética e imersiva sobre a existência, as inteligências e a natureza expressiva do ser.” Vejam que isso tudo registrado nesta imensa coluna colorida instalada no espaço da Bienal cheia de significados.

Concordam que a arte é uma ferramenta para desenvolver o pensamento crítico?  O papel da arte não é de oferecer respostas e sim de estimular o observador a pensar.

Arte verdadeira é a forma mais sofisticada e mais intensa de resistência” (Leia mais aqui)

Uma sociedade mais justa não se constrói apenas por leis ou políticas públicas, mas por cidadãos conscientes, capazes de reconhecer desigualdades, identificar manipulações e refletir sobre seus próprios privilégios e limites. 

Banksy - Crítica sobre a guerra
Banksy - Crítica sobre trabalho escravo.

 Na educação, na arte, no jornalismo e na cultura, o pensamento crítico amplia os horizontes. Todos esses meios criam espaços para a escuta e o debate, incentivam a pluralidade das narrativas e fortalecem a democracia ao recusarem o autoritarismo das verdades únicas.

“Os maiores crimes do mundo não são cometidos por pessoas que violam as regras, mas por quem as segue. São pessoas que cumprem ordens, que soltam bombas e massacram aldeias”. Banksy – (saiba mais aqui – o artista que não se revela). 

Nossa bandeira para 2026  é de fortalecer o pensamento crítico! “Com arte, ciência e paciência mudaremos o mundo”,  Estados Gerais da Cultura.