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Muitos mundos em Veneza emergem da Bienal das Artes

Cada vez que visito Veneza tenho a sensação de senti-la através das suas famosas máscaras. É como se a cidade italiana mostrasse diferentes mundos por detrás desses inspiradores disfarces da Idade Média.

 O mundo dos turistas, dos moradores e das artes. A contemporaneidade da mais antiga Bienal das Artes do mundo, tem como cenário de fundo Veneza, misteriosa e exótica vivendo o presente dentro do passado, mas num universo em outro dimensão. 

Exato. É o que sinto ao entrar no Arsenale e visitar os Pavilhões  instalados no Giardino repletos de significados expresso nas obras e instalações. 

Artistas de todos os cantos usam a linguagem global do contemporâneo em suas poéticas, sobre questões sociais, políticas e ambientais, mas com olhar e a cultura de sua gente.  É como se o visitante fosse transportado a esses mundos, viajando nos conceitos que esses artistas idealizaram para transmitir a sua mensagem pelas obras expostas.  

 

É possível comparar a uma Torre de Babel que neste lugar fala uma única linguagem: a da arte como expressão da vida.

Por isso, com certeza, entrar numa bienal contemporânea como a de Veneza, que reúne 213 artistas de 58 países, é se transportar numa outra dimensão da matéria. 

A 59º Bienal das Artes de Veneza está estupenda. Leite dos Sonhos é loucura e êxtase porque se conecta com o corpo, a terra (camada superficial do solo) e o Planeta, num emaranhado entre a destruição e a esperança da construção de numa nova era. 

Por ser um tema tão subjetivo é quase impossível colocar na linguagem escrita o nível sensorial da visita. A foto de uma gigantesca árvore construída por sacos de terras empilhados simetricamente pode não tocar o observador. A foto é estática e um fragmento de segundo que captou uma imagem.

Mas a obra feita pelos artistas ucranianos, num pavilhão improvisado, no Giardino, com totens contendo fotocópias de telas e poesias descrevendo o conflito é muito impactante para quem está no local.

Leite dos Sonhos é agonia e êxtase num mundo pós pandemia, no qual a guerra continua sendo ameaça para vida no planeta, e o amor e a paz continuam sendo a busca do homem.

 

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