Shamsia Hassini conta sobre a angústia da mulher afegã no silêncio das imagens

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mural de Shamsia Hassani - foto via Instagram da artista

Nos grafites de Shamsia Hassini a voz da mulher afegã encontra eco, porém no silêncio. Só nas imagens e na cor.

A  personagem que Shamsia criou está em paredes  e  muros de Cabul e de algumas grandes capitais no mundo. Começou retratá-la com burca, mas deixou de lado a burca e a repaginou como uma mulher moderna, corajosa e orgulhosa de sua condição feminina e de sua identidade cultural.

Além dos murais, a artista usa a fotografia como técnica aliada a pintura.  Ao criar a figura feminina, a compôs como uma mulher solitária, forte e corajosa, porém delicada, de semblante tristonho, sempre com os olhos fechados e sem boca traçada. 

Na verdade, numa análise crítica, Shamsia retrata o perfil da mulher afegã. Quieta, escondida, vigiada, sem voz e com muitos medos. As imagens são potentes nas mensagens, impressionam e comovem quem as visualiza. Impossível não escrever sobre ela.

“A arte muda a mente das pessoas e as pessoas mudam o mundo”, escreve ela na entrada do seu site oficial. Para saber mais clique aqui.

Pouco fala sobre si e seu currículo no site. Sua comunicação é pelas imagens de suas obras. Compreensível, sobretudo agora com a volta do Talibã ao poder. Mas pela arte ela percorre o mundo e conta o drama e expõe a alma dessas mulheres que geram filhos cercadas pela violência.

Em tempos de abertura política, a artista conseguiu percorrer diversos países e mostrar seus murais. “Os trabalhos de graffiti de Shamsia Hassani foram exibidos em todo o mundo. Seus murais são peças de arte em paredes do Afeganistão, Estados Unidos, Itália, Alemanha, Índia, Vietnã, Suíça, Dinamarca, Noruega e outros países”, fonte site oficial.

A mulher-mãe que gera um filho para guerra. Um obra comovente e forte na mensagem. 

. Tem algo mais eloquente que simbolize a liberdade do que uma ‘pipa’ pegando carona no vento e alcançando as alturas?

A pandemia, na criação de Shamsia, têm uma versão mais perturbadora para a mulher. Percebem o detalhe das grades na janela?

Shamsia Hassani é a primeira mulher grafiteira do Afeganistão. A jovem de 33 anos retrata por meio de suas obras de arte mulheres afegãs em uma sociedade difícil.

Filha de refugiados afegãos, Hassani começou a fazer grafite e arte de rua em 2010, após graduar-se na Universidade de Cabul em pintura e artes plásticas. 

A descrição de seu perfil no Instagram é bastante resumido e discreto, com 443 publicações, todas imagens de obras suas. No entanto, Shamsia têm  237 mil seguidores. 

 

O vídeo é de 2016 numa outra situação política diferente da atual. O pensamento da artista é de uma mulher que sonha e acredita que a arte tem o poder transformador.  Ela sonha por um mundo melhor.  

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

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