Escudo da Medusa de Caravaggio para aterrorizar o inimigo

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Cabeça de Medusa, (1578).Caravaggio

A deusa Minerva colocou em sua Égide (escudo mágico), a cabeça da Medusa para aterrorizar os inimigos.

Para compor essa analogia simbólica em tempos de Covid 19, nada mais expressivo do que representá-la pela obra  ‘Cabeça de Medusa’ pintada por Michelangelo Merisi de Caravaggio em 1578.  

O ‘escudo’ pintado por Caravaggio que se encontra na Galleria degli Uffizi, em Florença, é magnífica em todo o seu contexto, tanto pela história baseada na mitologia grega como pelo uso de fortes contrastes cromados entre a luz e a sombra.

O rosto da Medusa é apanhado no momento do grito, resultante do corte repentino da cabeça de cuja base jorra sangue. Os olhos arregalados e alucinados pelo horror, a tensão do cenho franzido, a boca aberta, com o espasmo de um grito e o fundo escuro do interior, são realçados pela luz quente e repentina. A luz também destaca o horror produzido pelo cabelo das cobras

Testa di Medusa - 1578 (Galleria degli Uffizi

Caravaggio (1571- 1610) pintor italiano notável da antiguidade, cuja vida foi curta e atribulada, pintou sua Medusa, em óleo sobre tela aplicada num escudo de madeira. A obra foi encomendada  pelo cardeal Francesco del Monte, que representava a casa dos Medici na cúria, para ser presenteada a Ferdinando I – sacro imperador romano (1556).

“O tema da Medusa, caro aos Medici, não parece ter sido acidental. No campo humanístico, a cabeça da Medusa ou Górgona tinha um valor simbólico como alegoria da prudência e da sabedoria. Esta simbologia era bem conhecida e presente em muitos tratados de pintura da época. De fato, no Diálogo das Cores de Ludovico Dolce (1565), lemos que a Medusa representa a prudência adquirida pela sabedoria. O presente da imagem da Medusa, portanto, teve um valor auspicioso (além, é claro, do tradicional apotropaico – de espantar as influências maléficas). Fonte: Wikipédia

Como se sabe, o tema deriva de Hesíodo (Teogonia, 274-284) e, sobretudo, de Ovídio (Metamorfose, IV, 769-803). Medusa ou Górgona era um monstro com a cabeça coberta por uma cabeleira de cobras sibilantes, cujo olhar tinha o poder de petrificar qualquer um que a olhasse. O herói Perseu, graças à ajuda de Minerva e Mercúrio, encontrou Medusa e a matou cortando sua cabeça. Para evitar o olhar aterrorizante, o herói não olhou para o monstro, mas para seu reflexo em um escudo de bronze brilhante. Mais tarde, ele doou a cabeça decepada (que ainda mantinha seu terrível poder) para Minerva, que a colocou em sua égide para aterrorizar os inimigos.

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

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