O artista é uma potência na transformação

Outra face de Aurélio. Contradições entre genialidade e o ser humano
26 de novembro de 2020
Ter banheiro em casa. Ô, Bença
10 de dezembro de 2020
Exibir tudo

O artista é uma potência na transformação. Se você pensa bonito, já não é mais tóxico para o planeta.

A frase é do artista  John Gerrard, o poeta da tecnologia, autor da Solar Reserve, obra contemporânea que exalta o problema das mudanças climáticas. Difícil de esquecer uma frase tão expressiva sobre a força transformadora de uma obra de arte seja ela como estímulo à reflexão ou seja como denúncia. 

John Gerrard é irlandês e ao longo de sua trajetória artística tem produzido obras que nos fazem pensar na dualidade atual da arte, sobretudo no trabalho deste ativista que vive entre Irlanda e Áustria. Suas obras perpassam dois extremos, a avançada tecnologia junto com a poética do equilíbrio da natureza.

John Gerrard – Solar Reserve.jpg|thumb|John Gerrard – Solar Reserve]]

PanHoramarte  mostra o trabalho do artista para destacar o quanto é paradoxal o momento atual e como os artistas se situam nessa leitura que envolve arte, capital, ambiente e posturas de vida.

Ao mesmo tempo que Gerrard constrói uma instalação monumental usando tecnologia de ponta, que gera lixo, também enaltece, destaca, a necessidade das pessoas, os governos, pararem para pensar sobre o que estão fazendo com o planeta. 

John Gerrard é um artista que nasceu e cresceu no campo. Mais tarde estudou nos EUA com dois cursos universitários e mestrado em Arte e Software. Hoje trabalha na Galeria Thomas Dane, em Londres.

Solar Reserve (Tonopah, Nevada) 2014 por John Gerrard é uma simulação de computador de uma usina real conhecida como torre de energia solar térmica, cercada por 10.000 espelhos que refletem a luz do sol sobre ela para aquecer sais fundidos, formando uma bateria térmica que é usada para gerar eletricidade. Ao longo de um ano de 365 dias, o trabalho simula os movimentos reais do sol, da lua e das estrelas no céu, como apareceriam no site de Nevada, com os milhares de espelhos ajustando suas posições em tempo real de acordo com a posição

 

 Seu trabalho é dicotomicamente interessante porque de um lado, é sofisticado, quando usa refinadas técnicas de multimídias, software e tecnologias de vanguarda, enquanto de outro, é poético, exige uma reflexão sobre o retorno da natureza primitiva, original, que se reflete na sua infância pobre, de família numerosa e ligada ao ambiente e aos recursos naturais.

Abraçar árvores, comer pão feito em casa, aquecer um lar com lenha, descansar relaxado depois de um dia de trabalho no campo. Esta é a poesia e arte! 

 Eu tenho uma máquina fotográfica, viajo ao lugar que eu escolhi e faço uma pequena cópia do objeto, olho em torno lentamente e fotografo. Faço cerca de 300 fotos. Depois se cria um modelo à base das fotos e se refaz o objeto em 3D em seis ou três anos. Depende. Em seguida se controla a superfície, o reflexo  de prata. Luzes e sombras. Com outros programas se cria um tecido, como uma pele sobre um esqueleto, que vem em cima. É como área fotografada feita em várias camadas.No fim funde-se tudo. Um trabalho muito sério é longo.”

Gerrard criou obra que intitulou ‘Árvore do Fumo’ – Smoke Tree’. Uma simulação em computador; um tronco de árvore com folhagem representada por fumaça, composto por fotografia e vídeo, que se movia no meio do nada numa terra desolada. Nisso existe uma relação diferente com a natureza que ele explica.

“O conceito da “Árvore do Fumo” sublinha um tema chave de todos os meus trabalhos: a relação entre a presença humana e todas as outras criaturas em um ambiente compreendido como pós-cristão. Nós sempre fomos levados a acreditar que éramos o centro do universo. Em 1890 se descobriu a prisão negra do Petróleo.  E nesta corrida para liberdade total se vive a euforia do movimento em que a natureza é superada pelo petróleo e coisas tóxicas, onde nada é grátis e cada coisa tem um valor. Pagas por aquilo que usa. O grão é feito com o nitrogênio e o nitrogênio é feito do petróleo. Se o coloca na terra, isso aumenta a produção. Nós somos feitos de petróleo. Estamos radicalmente nos transformando nas nossas estruturas moleculares e por causa disso há 80 anos”.

 

Comentários Facebook

comentarios

Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *