Quino deixou como legado Mafalda e suas cismas tão atuais

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Quino despiu-se de seu corpo humano e deixou este mundo para transitar em esferas mais elevadas, certamente. Mas Mafalda permanecerá conosco, com suas dúvidas e inquietações.

 A personagem foi criada pelo cartunista argentino, Joaquim Salvador Lavado, mais conhecido como Quino, que morreu nesta quarta-feira (30), em Mendonza, aos 88 anos. As tiras sobre as reflexões  de Mafalda encantam jovens e toda uma geração das décadas de 60, 70, 80 e seus questionamentos nunca perderam a atualidade, infelizmente.

Como este da foto que representa Mafalda sonhando:  “Querem parar já com esse barulho e deixar a humanidade dormir em paz?!” , em referência a motosserra cortando uma árvore.  Qualquer semelhança a assuntos que  afligem brasileiros no momento é mera coincidência.

A nossa homenagem ao gênio visionário que criou no desenho uma personagem tão simples e singela, em preto e branco e com pensamentos tão avançados. Seu humor é inteligente e ideológico e as tiras de Mafalda foram traduzidas para 26 idiomas e a menininha foi eleita  como uma das 10 argentinas mais influentes do século XX, apesar de ter um corpo de papel.

 

 Os mesmos problemas sociais, ambientais e políticos que inquietavam os pensamentos da Mafalda, a menininha precoce, crítica, lúcida e enfática, continuam a tirar o sono daqueles cidadãos que torcem para que o mundo seja um lugar melhor para se viver.  O mundo segundo Mafalda, no Paço das Artes, em São Paulo, foi uma das exposições mais completas e interativas de Quino no Brasil. 

Aproveitando um flagrante ao lado da menina. Meus 15 minutos de fama.

A inesquecível mostra no Paço das Artes começava com o carro do pai de Mafalda, um típico funcionário público e sua mãe uma dona de casa dedicada. 

 

Quino foi perspicaz em criá-la nos anos de chumbo. Num período em que a Cortina de Ferro e os EUA estavam se digladiando para mostrar quem tinha mais poder. O comunismo cinzento e a democracia capitalista e colorida e era assim que pintavam o cenário do mundo. Num tempo em que a maioria dos países das Américas, tanto Central e quanto do Sul estava subjugada a um ditador ou nas mãos de militares.

O ilustrador argentino criticava severamente regimes autoritários sem perder o bom humor e a elegância. Mafalda, a danadinha da menina precoce, nunca perdeu a atualidade e está presente até hoje nos corações de gente de todas as idades.

Quando perguntaram para Quino, em uma entrevista, se ele era de esquerda ou de direita.  A resposta foi uma pergunta: De que lado bate o coração?

O pai é um corretor de seguros e o seu trabalho lhe permite cobrir os gastos da família e economizar um pouco para umas férias modestas. Diz que não se importa com dinheiro, mas está sempre preocupado para que não lhe falte. 

Raquel, sua mãe, terminou virando uma dona de casa sem outra ocupação e passa os dias limpando, enquanto o marido está fora trabalhando. 

Quando se casaram, a mãe largou os estudos. Diz que foi para cuidar da filha. Mafalda acha que foi por falta de vontade de continuar a estudar.

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

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