‘Cidadão Ilustre’ faz humor crítico sobre bajulação e hipocrisia

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"Cidadão Ilustre" é um filme que vale a pena ver de novo porque convida o espectador a pensar sobre o culto a celebridade e a hipocrisia do poder.

A  história de Daniel Mantovani, um escritor que visita a sua cidade natal depois de anos,  quando já era uma celebridade por ganhar o prêmio Nobel de Literatura, é cheia de surpresas ao chegar na provinciana cidade que nasceu.  As cenas são divertidas e mostram com um humor refinado a hipocrisia do poder político, o machismo, a submissão da mulher, a ignorância. 

Qualquer semelhança com a vida de Gabriel Garcia Marques é mera coincidência. No entanto, como no filme, Garcia Marques ganhou o prêmio Nobel de Literatura e a maioria de seus livros tem como fonte inspiração os personagens da minúscula cidade onde nasceu. 

O resto é pura e divertida ficção de uma sociedade que bajula suas celebridades, embora a inveja faça parte dos sentimentos ocultos de muitos deles que não conseguiram libertar-se da vida pacata e limitada numa de uma pequena província.

 O filme concorreu ao Oscar em 2017 , como produção em língua estrangeira pela Argentina.  A parceria de Gastón Duprat e Mariano Cohn na direção apresenta o tema com um viés irônico nas críticas a sociedade moderna, sobretudo a latino americana, que alimenta centenas de políticos canastrões. 

 O filme explora muito bem os sentimentos das pessoas. A dor de cotovelo, a inveja de quem quis, mas não teve coragem de desafiar novos mundos, o desinteresse pelo conhecimento, a bajulação e os preconceitos. 

Sua ex-namorada de juventude desempenha o papel daquela mulher que foi vencida pela moral provinciana, pela qual define que toda mulher precisa casar . O amigo de infância tornou-se um machão inveterado e perdeu o brio quando sentiu-se ameaçado. 

O prefeito, um político com um olhar na próxima releição, mostra uma realidade que ainda existe no poder público. O personagem principal, o escritor, tem aquela arrogância de toda a celebridade, que de repente, na sua pequena cidade ele não consegue ser mais do que foi como um simples morador.

O final é imprevisível e nem vale aqui adiantar, pois fica como a expectativa para quem tiver interesse em assistir como olhar mais analítico sobre nossa sociedade atual e o culto a celebridades. 

Bom entretenimento!

 

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

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