O homem que come gente. Abaporu

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O significado do nome da tela Abaporu, de Tarsila do Amaral, é tupi-guarani, Aba-homem, pora-gente, ù-comer – ‘homem que come gente’. O conceito do Abaporu entrou nessa história como uma apropriação intelectual para falar sobre a pós-verdade com poética artística.

O Abaporu (o homem que come gente) transportado para era da globalização e dos recursos tecnológicos, poderia ser traduzido em ‘robôs que comem pensamentos’, tal é o poder de persuasão das informações e imagens que circulam no ambiente online, com advento das redes sociais.

Diferente do Abaporu de Tarsila, feito em 1928, cujo nome foi escolhido para marcar o movimento moderno brasileiro (antropofágico) que tinha o objetivo de deglutir a cultura europeia. Adaptá-las ao Brasil, isto é abrasileirar o que vinha de fora.

Apropriação

Essa apropriação intelectual do conceito do Abaporu, da nossa parte, é para dar aos leitores a dimensão do que é o poder da tecnologia da informação. A mente artificial manipulada pelo homem está desconstruindo sociedades pela mentira e criando uma nova ordem mundial.

O Abaporu  do século XXI é a mente artificial que engole gente. Pós-verdade é um termo que entrou no léxico mundial em 2017, pelo dicionário Oxford, para significar um tempo em que a sociedade preferiu os boatos aos fatos.

“Não seria então, exatamente, o culto à mentira, mas a indiferença com a verdade dos fatos. Eles podem ou não existir, e ocorrer ou não da forma divulgada, que tanto faz para os indivíduos. Não afetam os seus julgamentos e preferências consolidado”. fonte: Carta Capital

Brasil

A democracia brasileira está em jogo nesse tempo de pós-verdade e transição política. As mentiras circulam numa velocidade voraz sem que haja regras claras para conter a disseminação de notícias falsas e muitas vezes descontextualizada dentro das redes sociais.

É assustador o número de pessoas cultas, com formação e capacidade de interpretação, que se tornam multiplicadores em potencial de um notícia deturpada simplesmente porque é assim que desejariam que fosse. Nesse universo online não existem classes sociais, todos se devoram entre si pelo poder da palavra e da imagem e  usam o termo ‘compartilhar’ como se fosse a único capaz de resolver aquilo que lhes incomoda.

Olhar crítico

É uma pena que uma ferramenta tão maravilhosa como a internet está transformando e alterando comportamentos sociais, criando caos, destruindo a paz, quando deveria simplesmente destruir fronteiras geográficas para fortalecer a união entre os povos. Infelizmente, liberdade de expressão tranforma-se em pós-verdade, sobretudo quando alimenta-se de uma fonte cunhada pelo poder econômico.  Quem perde somos nós.

Duas dicas são fundamentais  para evitar que nossas mentes fiquem à deriva nesse oceano infinito de informações:

  • Ponto principal: desconfie de sites que tem não editores responsáveis, bem definidos o quem somos, desenvolvedor e a missão.
  • Para descobrir se uma notícia é falsa busque no Google o título do artigo ou qualquer referência sobre o assunto. Sempre.
  • Desconfie quando o assunto é absurdo demais!

Deixe o Abaporu na história da arte apenas – uma das telas brasileiras brasileiras mais valiosas no comércio de arte internacional. Pesquise muito, muito, antes de ser devorado pelo Abaporu cibernético.

Cuidado com a mente artificial que come gente (pensamentos). Ela poderá transformá-lo num zumbi!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

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