Será arte ou explosivo

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A recente apreensão do que parecia ser um rudimentar explosivo pela “Transportation Security Administration”, nos EUA, e a justificativa dada pelo portador, de ser uma obra de arte é quase hilário, se não fosse pela preocupação  dos governos aos constantes ataques terroristas em aeroportos.

Não é de hoje que os artistas denunciam, a partir de suas obras, a  violência, a pobreza e outras mazelas da humanidade em poéticas que chocam o espectador. Portanto, nada anula o fato do objeto encontrado no Aeroporto de Nova York , ser uma obra de arte.

O episódio ocorrido na cidade americana coloca em debate o conteúdo social na arte. Nada melhor do que relembrar sob esse prisma, o que foi apresentado na Bienal de Veneza, 2015.

As consequências da guerra, da violência, da pobreza, foram expressas em muitas obras da bienal veneziana. Uma mostra rica em conteúdo social, que fez jus ao estilo do curador, o nigeriano Okwui Enwezor, primeiro africano a conduzir o famoso evento de arte – que completou nesse biênio 120 anos de existência.

“All The Word’s Futures”-  Todos os Futuros do Mundo- foi o tema escolhido por Enwezor.

Por algumas obras expostas é de se perguntar se existirá futuro para o mundo.

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Viscerais

Obras viscerais como mostra o blog Plastico. O argelino Adel Abdessemed fincou facões no chão, já na entrada do Arsenale, como uma espécie de alerta, no lugar das boas vindas.

chamekh-620x431Nidhal Chamekh, o artista tunisiano pergunta com que sonham os mártires numa série de desenhos. De traço firme e preciso, Chamekh  justapõe elementos díspares, como ossos e armas de fogo, em suas composições.

As obras de arte expostas na bienal, de conteúdo social, e o achado na bagagem de um passageiro no Aeroporto John F. Kennedy,  de New York têm um fato em comum na expressão da criatividade artística: a vulnerabilidade do ser humano. Um frasco cheio de substância desconhecida, conectado por dois fios a dois pacotes de plástico verde. Um objeto semelhante a uma bomba rudimentar. A preocupação foi tal que o voo foi cancelado. Material publicado originalmente no Exibart e Time.

O equívoco foi desfeito quando acharam o dono da bagagem, na qual foi encontrado o estranho objeto. O passageiro explicou que era uma obra de arte e se definiu como artista. Bem, pelo menos essa foi versão do interrogado, que recebeu uma publicidade gratuita, por conta de Lisa Farbstein representante do sistema de segurança em aeroportos americanos, que escreveu sobre o fato em seu twitter.

Talvez tenha sido apenas uma brincadeira por parte do passageiro, que se transformou em artista de um instante para o outro. Mas não deixa de ser incrível pela reação que sua obra provocou. Aí se insere o conceito.

Por fim, é preciso reconhecer que o curador nigeriano foi soberbo na escolha do tema ” All The Word’s Futures”, que colocou em discussão, no âmbito da arte, as questões sobre a violência, sobretudo o terrorismo que invade atualmente o cotidiano das pessoas.

 

 

 

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

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