Fenômeno Cinque Stelle na Itália. Inspire-se na poética Brasil!

Quase 40% do povo italiano quer Luigi Di Maio, um jovem de 31 anos, candidato do Movimento Cinque Stelle, para primeiro-ministro da Itália. Di Maio representa a mudança, a substituição de governantes vitalícios e políticos profissionais por cidadãos comuns  e um basta à corrupção. A atuação do M5S, criado em 2009, está colocando os partidos tradicionais em polvorosa e o parlamento de ‘pernas para o ar’.

O M5S conseguiu a maioria dos votos, sozinho, sem financiamento público e sem o apoio da imprensa corporativa, que o ataca constantemente. O Movimento tem a web como força de aglutinação e dá exemplos de cidadania. Um deles, com o fundo alimentado por doações dos próprios políticos que se elegem e da comunidade, conseguiu salvar da falência pequenas micro-empresas, agricultores, entre outras situações.

Assim como muito italianos, sou uma admiradora dessa iniciativa desde 2013, quando um amigo italiano me falou esperançoso sobre um Movimento sem líder, sem partido e que buscava a qualidade de vida dos cidadãos. As cinco pontas da estrela – água, transporte, desenvolvimento, energia e ambiente. Publiquei na época o material no antigo site e um comentário na época das Olímpiadas.

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Cinco pontas da estrela

Dos 33,64% dos votos, um é de Augusto Fagioli, empresário do ramo da hotelaria. “A ausência de um líder é o ponto cardinal do movimento. A filosofia principal é de não delegar para uma outra pessoa as suas próprias escolhas e, sim, de participar em primeira pessoa à causa política”. Hoje, além de muitos deputados votados atuando no parlamento, algumas prefeituras já são Cinque Stelle. Roma é um exemplo com Virginia Raggi.

Alessandro di Battista, que foi deputado do parlamento, hoje é apenas um cidadão vivendo sua vida, numa de suas entrevistas criticou a verba para telefone do gabinete que considerava exorbitante. Repassou para o fundo. O parlamento mantinha para os deputados – na época, 1.5 mil euros. Fez um trajeto de moto do Sul ao Norte da Itália, para explicar porque o povo deveria votar não não no ‘referendum’ sobre a reforma constitucional de Renzi. O ‘Tour do No’.

Movimento que surgiu da insônia provocada pela gastrite do comediante Beppe Grillo

A juventude é o motor principal desse movimento que tem humor na pauta, considerando que seu mentor já não é tão jovem e gosta de fazer as pessoas rirem. O comediante Beppe Grillo numa entrevista à escritora e ativista suiça, Helena Norberg-Hodge, quando perguntado sobre a possibilidade de percorrer o mundo e contar sobre o M5S e o que está acontecendo na Itália, ele disse que não saberia explicar.

“O movimento nasceu do fato que de noite eu não durmo por causa de uma gastrite. Acordava e pensava, pensava. Se não tivesse a gastrite o movimento não nasceria. Eu cultivo a insônia. Andava à noite, girava, encontrava com os poetas e pensadores e com eles comecei a criar conceitos. Fragmentos de pensamentos….”, brincou Grillo.

https://www.youtube.com/watch?v=SRUFwt5tFws

Resta saber se Di Maio conseguirá vencer algumas barreiras impostas

Na guerra de interesses nada é muito fácil e os vitalícios não querem perder a fonte de renda. Apesar de ter alcançado a maioria dos votos dos italianos, sozinho, sem acordos obscuros, Di Maio corre o risco de não entrar devido uma lei em vigor e aprovada recentemente na Itália. Para eleger um primeiro-ministro é preciso alcançar 40% dos votos. Dizem de ‘boca em boca’ que os partidos fortes criaram esse dispositivo  prevendo  o crescimento do M5S, que não faz coligações mal intencionadas.

Mas o feitiço virou contra o feiticeiro – houve empate, mesmo com as coligações de partidos e eles não conseguem os 40%. Quem será o primeiro-ministro?

Acorda Brasil inspire-se na poética do Cinque Stelle.

“O movimento 5 Stelle é uma associação livre de cidadãos. Não é partido político e nem pretende se transformar no futuro. Não tem ideologia de esquerda ou de direita, mas de ideias. Quer realizar uma eficiente e uma eficaz troca de opinião e confronto democrático fora dos vínculos legais associativos e partidários e sem a mediação de organismos diretivos ou representativos, reconhecendo a todos os cidadãos o papel de governo, endereço atribuído a poucos”. Esta é a missão do Movimento Cinque Stelle.

Vale acompanhar os passos deste movimento para encontrar a receita certa e desenvolvê-la e adaptá-la à nossa cultura. Mãos à obra artistas, escritores e sonhadores. Utilizem o poder transformador da arte e da literatura e a força da internet para se unir e fortalecer ideias tendo como alvo um Brasil melhor!

 

 

 

 

Sopra è il pannello creato sulla parete del B&B Savoia,  giù è la  Stick in Time, di Medalla, Bienal de Veneza -2017

I biglietti affettuosi diventano arte

Quando mi sono rimasta a contemplare l’installazione dell’artista filippino David Medalla alla Biennale di Venezia del 2017, ho subito ricordato il pannello dei biglietti affettuosi presso il B & B Savoia, a Roma. Entrambe le creazioni si connettono esprimendo i sentimenti delle persone.

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Il pannello, dove sono le letterine scritte da diverse persone che si ospitano lì, messo da Augusto Fagioli, il proprietario del Bad&Breakfast italiano,mi ha sempre attratto dalla creatività e anche la curiosità. Certamente, Augusto non l’ha creato per fini artistici e nemmeno ha pensato che sarebbe un’opera d’arte.

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Solo con una ragione: ha usato la sua creatività con l’obiettivo di interagire con i suoi ospiti che diventano presenti nelle affettuose note di ringraziamento, sottolineando il bel soggiorno passato a Roma e stesso che pochi, però sono state meravigliose giornate. Quindi l’accoglienza da parte di Augusto in uno albergo confortabile, soprattutto, è stato condizione ‘sine qua non’  a essere indimenticabili.

Stick in Time

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‘Stick in Time’ (1968-2017), un progetto artistico itinerante che ha iniziato nel 1968 basato  sulla condivisione dell’ato creativo mediante il ricamo: il pubblico è invitato a intervenire su un grande telo appeso alla parete, contribuendo alla creazione dell’opera. I tessuti così realizzati in diversi parte del mondo costituiscono un archivio di immagini e parole che diventano testimonianze di un’epoca.

La connessione tra il lavoro della Biennale e il pannello iniziato da Augusto forse a 10 anni fa, il tempo anche che lo accompagno quando visito Roma e faccio il mio soggiorno romano nel B&B Savoia, rafforza la tesi che “l’arte è vita e la vita è arte”. L’installazione di Augusto – posso sicuramente dire che è un’opera con poesia artistica tanto quanto il lavoro di Medalla, nel senso concettuale.

Cucina

Il pannello è stato appositamente posizionato nella cucina di fronte al tavolo per provocare la lettura e forse per integrare il visitante in quello spazio in modo che si sentisse accolto e a rendersi conto che le emozioni non dipendono dalla nazionalità. Siamo tutto uguale nel sentiero del cuore. Cambia solo la lingua.

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I messaggi sono scritti da più semplice alla piena di dettagli messa nel pannello. Quasi sempre in inglese o in italiano, alcuni in spagnolo. Esempio: la coppia argentina che ha trascorso le nozze a Roma e ha notato che l’albergo ha contribuito a rendere il viaggio indimenticabile. Una coppia belgi si ringraziano e giocando allo stesso tempo, disegnando il simbolo turistico in Belgio, il bambino facendo pipi e insieme nel fine del testo un allegro saluto. Trovo la mia piccola nota scritta anni fa in un italiano terribile, un ‘boton’ della figlia e degli amici, il 4ever e così via….. Ci sono centinaia di piccoli messaggi.

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Perché ne parlo? La Biennale già è finita.

Per il semplice fatto che mi sono seduta cenando e leggendo i messaggi in un giorno dopo la neve a Roma, nel 27 febbraio. Davvero un soggiorno invernale nella città eterna molto freddo a una brasiliana. Le parole carine indirizzati a Augusto sembravano che erano a me e quella sensazione di accoglienza era tanto buona che mi ha lasciato con il cuore pieno di tenerezza. Mi ha fatto tanto bene come un sogno d’oro.

Non ho sentito più freddo e ho visto che il pannello cresce a ogni anno perché aumenta i numeri dei biglietti. Oggi prende due parete della cucina.

 Quanta tenerezza e energie positive le persone esprimono in piccole lettere.  È l’arte dell’ospitalità che si diffonde in tutto il mondo e non perderà mai il suo posto.
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Todo mundo tem que possuir sua própria parede

 

Temos que construir nossa parede para podermos nos recostar nela. Temos que construir essa parede muito firme, com ladrilhos que sejam carregados com nosso esforço.

Temos que pensar nos nossos relacionamentos como se fossem organismos vivos. Se uma flor secou, um humano morreu, ou uma folha apodreceu é impossível devolvê-los para a vida. Os relacionamentos são assim também, quando um relacionamento termina reconstruí-lo é extremamente difícil porque já machucou os envolvidos demais.
Algumas pessoas fazem certas coisas nos seus relacionamentos sem prestar atenção, displicentemente e até com falta de educação. Logo depois, esfria o afeto que existia entre os envolvidos, o relacionamento estraga. Um tempo depois a pessoa que se comportou negativamente, como se não tivesse feito nada de mal, quer que o relacionamento continue como era antes.Essa pessoa não faz uma crítica própria, nem assume possíveis falhas, e quer apenas continuar relacionando-se sem pensar nas suas faltas, no mesmo tipo de relacionamento que mantinha anteriormente. Um dos meus amigos diz o seguinte: “ minha vida não é como um hotel que as pessoas quando querem entram e quando querem saem, não é fácil entrar.”
Eu prestei atenção nos últimos tempos no fato das pessoas encontrarem-se e passarem umas pelas outras fingindo que não se viram, só se não tiverem tempo hábil para escapar do inevitável encontro face à face, conversam falsamente, cumprimentando-se.
Se nosso relacionamento com alguém está estragado, sabemos que também acabou nosso relacionamento com o melhor amigo dele.
Porque as pessoas freqüentam psicólogos? Eu penso que às vezes não querem solução, querem ser escutados e compreendidos sem serem vítimas de preconceitos. O psicólogo irá escutá-los, mesmo que eles não procurem solução. A solução é essa, uma pessoa escutá-los. A maior parte do tempo não precisam fazer comentários sobre as situações que vivenciam.
Temos que construir nossa parede para podermos nos recostar nela. Temos que construir essa parede muito firme, com ladrilhos que sejam carregados com nosso esforço.
Ao relacionar-se, muitas vezes, uma pessoa se encosta numa outra com todo o seu peso e a outra pessoa o carrega, como se fosse sua carga, sem reclamar. Às vezes as pessoas precisam disso para pegar o poder do outro, suportar a vida, mas com a continuidade chega o cansaço e o carregador da carga se esgotará. Então, ele sairá e largará o fardo, irá para outro lado. Quem estava encostado cairá no chão, porque ele pensa que seus amigos são uma parede na qual podem recostar-se para sempre. Por isso ele mesmo não possui uma parede própria para se recostar. Até a eternidade ele acreditava que seu amigo teria que carrega-lo. Todo mundo tem que possuir sua própria parede.

 

Erol Anar

Sopra è il pannello creato sulla parete del B&B Savoia,  giù è la  Stick in Time, di Medalla, Bienal de Veneza -2017

Bilhetes afetuosos que se transformam em arte

Quando me deparei com a instalação do artista filipino David Medalla, na Bienal de Veneza de 2017, imediatamente lembrei do painel de bilhetes afetuosos no B&B Savoia, em Roma. Ambas as criações se conectam por expressarem os sentimentos das pessoas. 

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O painel de bilhetes colocado por Augusto Fagioli, o proprietário do Bad & Breakfast italiano, sempre me atraiu pela criatividade e também por curiosidade. Certamente, o proprietário não o criou com objetivo artístico e nem com interesse de expô-los como obra de arte.

Apenas usou sua criatividade para interagir com seus hóspedes, que se tornam presentes nos afetuosos bilhetes de agradecimento enfatizando o quanto foram rápidos, mas deliciosos os passageiros dias vividos em Roma, sobretudo pela acolhida no B&B, por parte de Augusto, contribuiu para que as férias fossem inesquecíveis.

Stick in Time

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Madella, com seu ‘Stick in Time’ (1968-2017), projeto artístico itinerante, traz o testemunho de épocas, considerando que iniciou a obra em 1968 e cada país que percorre colhe mais material. O artista estende a grande extensão de tecido numa parede e convida o público a contribuir com imagens e palavras.

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A conexão entre a obra da Bienal com o painel que acompanho há 10 anos (tempo em que visito assiduamente Roma e me hospedo no Savoia) feito por Augusto reforça a tese de que ‘arte é vida e vida é arte’. Tem poética artística tanto quanto a obra de Madella.

O painel foi colocado a propósito, na cozinha, na frente da mesa de refeições para provocar a leitura e talvez, integrar o forasteiro naquele espaço, para que se sinta acolhido e perceba que as emoções não dependem de nacionalidade. Só muda o idioma.

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Os recados começam do mais simples aos repletos de detalhes. Quase sempre em inglês ou em italiano, alguns em espanhol. O casal de argentinos que passou a lua-de-mel  e registrou que o local ajudou a tornar a viagem inesquecível. Um casal de belgas que desenham um garoto fazendo pipi, o símbolo turístico da Bélgica, e junto um agradecimento carinhoso. Acho meu bilhetinho escrito há anos atrás num italiano macarrônico, o boton da filha e amigas, as 4ever, e assim por diante.

Bilhetes afetuosos aquecem o inverno gelado de RomaIMG_2756

Por que falar sobre isso depois que a Bienal passou?  Pelo simples fato de que estou agora em Roma e novamente me deparo com o painel de bilhetes afetuosos de hóspedes de todas as partes do mundo que deixam suas despedidas pela acolhida de Augusto. Sim, todos são dirigidos ao proprietário agradecendo a sua gentileza e simpatia. Sempre leio um ou outro e cada vez mais tem novos recados. O painel cresce a cada ano e hoje quase toma uma das paredes da cozinha.

Quanta ternura e energias positivas as pessoas deixam expressas em pequenas mensagens. É a arte da hospitalidade que se propaga pelo mundo e jamais perderá seu posto.