Eu voto em Lula!
Meu voto é para o político que fez o Brasil sair do mapa da fome. Mas acima de tudo, voto em Lula porque vejo nele um ser humano sensível que transformou as marcas de sua própria história em uma luta por aqueles que tantas vezes foram esquecidos.
Muitas pessoas vivem a vida em linha reta, sem grandes desafios. Outras têm a vida feita de curvas, quedas, travessias e recomeços.
A trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva faz parte do segundo grupo. É uma história que parece ter sido escrita pela própria poética da vida — aquela que transforma a adversidade em experiência, a experiência em consciência e a consciência em caminho.
Presidente do Brasil três vezes e caminhando para o quarto mandato, nasceu pobre, muito pobre em Caetés, no agreste pernambucano. Conheceu a dureza de migrar na esperança de uma vida melhor. Ainda menino, deixou o sertão com a família rumo a São Paulo, numa das tantas travessias silenciosas de brasileiros que procuram na cidade aquilo que a terra natal não conseguiu oferecer. ‘Os retirantes do sertão”, xilografura do artista J.Borges mostra nesta alegoria a saga de uma família numerosa e pobre fugindo da fome e da desolação, de um Brasil com tanta diversidade natural.
Sua passagem pelo movimento sindical o levou a compreender que a política poderia nascer também do chão da fábrica, das assembleias, das greves e da voz coletiva dos trabalhadores. Daí surgiu o Partido dos Trabalhadores e, com ele, uma nova possibilidade de representação política no Brasil.
A primeira eleição presidencial em 1989 não o levou ao Palácio do Planalto. Nem as tentativas seguintes. Lula perdeu em 1989, 1994 e 1998. Mas as derrotas, em vez de encerrarem a história, fizeram parte dela. Em 2002, finalmente, a faixa presidencial atravessou o peito daquele menino que havia saído do sertão para trabalhar em São Paulo.
Depois vieram dois mandatos, a saída do poder com enorme popularidade, o retorno à disputa política muitos anos depois e, em 2023, uma terceira posse. A vida política de Lula passou, assim, a carregar uma dimensão quase improvável: a de alguém que esteve no topo, deixou o poder, atravessou o fundo de um abismo político e pessoal e voltou a subir a rampa do Planalto.
Talvez seja essa a verdadeira poética de sua trajetória. Não a poética idealizada de uma vida sem contradições — porque nenhuma vida humana é assim —, mas a poética dos recomeços. A capacidade de transformar a própria experiência em narrativa coletiva. De fazer da história pessoal uma espécie de espelho das esperanças, contradições e disputas de um país
Lula deu espaço e amparo a um Brasil invisível porque ele próprio foi produto dessa sociedade desigual. Nesse sentido, carrega consigo o Brasil que migra, que trabalha, que sonha, que perde e que insiste. “Bora #Lula13, que Nossa Senhora Aparecida te abençoe para subir a rampa do planalto de novo com o povo em janeiro de 2027”

