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Ziraldo fez do desenho uma ponte entre afeto e humor para adultos e crianças

Du-vi-de-o-do! Isso mesmo, duvido que alguém nunca ouviu falar do "Menino Maluquinho" ou de Ziraldo(1932-2024).

Esse cartunista, chargista, escritor, poeta, cronista, desenhista, humorista, advogado, ufa….. foi gente pra caramba e criou tanto durante sua vida que não tenho espaço para contar tudo sobre ele, neste artigo que precisa de pouco texto porque as pessoas não gostam mais de ler textos longos ou não têm mais tempo. 

Creio que Ziraldo inspirou-se nele próprio para criar o Menino Maluquinho

 “Era uma vez, um menino que tinha o olho maior que a barriga, fogo no rabo e vento nos pés”

 Assim inicia a história que começou com a publicação de um livro, transformou-se numa série em quadrinhos para revista,  foi adaptado para TV e cinema.  O menino maluquinho é uma criança alegre, sapeca, cheio de imaginação, que adora aprontar e viver aventuras com os amigos e uma de suas manias é usar um panelão na cabeça. Inspira liberdade para as crianças e para adultos, sobretudo,  que precisam sempre estarem atentos para não esquecerem da criança que vive dentro de cada um.

 Por que Ziraldo está na nossa pauta? 

Pelo Mundo Zira que chegou a Natal, capital do Rio Grande do Norte, como primeiro roteiro no nordeste, no Complexo Cultural Rampa, até 26 de abril. Uma mostra, que confesso achei pequena e tímida, apesar de usar de tecnologia avançada e  promover a interação com os visitantes. Pequena e tímida  pela grandiosidade do papel de Ziraldo na arte e na imprensa brasileira. Porém, importante porque  cumpre um papel essencial: apresentar ao público um artista que acreditava no espírito da infância e na importância da imaginação como expansão da inteligência. 

Ziraldo não falava para as crianças, falava com elas. E talvez por isso tenha atravessado décadas sem perder a relevância e ser atual sempre…   Para se ter uma ideia, o Menino Maluquinho já está na maturidade. Tem 45 anos.

Ziraldo tinha, sem dúvida, o olho maior que a barriga, fogo no rabo e vento nos pés porque desenvolveu tanta atividade, jornalista, escritor, cartunista e desenhista premiado, homenageado e nunca parou de criar e se inspirar em sua longa vida – morreu em 2024 aos 91 anos.  Aliás, como paranaense devo citar que ele foi o criador da Família Folhas, um importante jogo de marketing utilizado pelo então prefeito Jaime Lerner para conquistar crianças e fazer  os pais separarem o lixo.

Na juventude foi um dos principais fundadores do Pasquim (1969) um jornal de humor crítico e inteligente como forma de resistência à ditadura militar. Chegou a ser preso em 1970, junto com os outros integrantes e mesmo assim, O Pasquim continou circulando. Enquanto os autores estavam presos, o jornal foi feito com material antigo, piadas internas e textos aparentemente sem sentido, só para provar que a censura não conseguiria calar o grupo. 

Ziraldo mostrou que rir também é uma forma de protestar. Por isso, o Ziraldo ‘adulto’, político e irreverente nasceu ali, em confronto direto com a ditadura.

O riso, em sua obra, nunca foi vazio. Sempre trouxe sentido, exemplo positivo e provocação saudável. Ao mesmo tempo em que divertia, convidava à empatia, ao diálogo e ao respeito.

Rever sua obra hoje é um gesto de reconhecimento, mas também de urgência. Em tempos de excesso de telas e pressa, seus desenhos lembram que a imaginação precisa de espaço — e que formar leitores, cidadãos e sonhadores começa com histórias contadas com verdade.

Ziraldo se eternizou porque desenhou mais do que personagens: desenhou o encanto das possibilidades.

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