Emoções do olhar Yanomami nas lentes de Andujar/ série Inhotim

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As 500 fotos sobre indígenas, em especial os Yanomami feitas pela fotógrafa Claudia Andujar, expostas num pavilhão especial em Inhotim, são um espetáculo de luz, sombra e cores criado a partir de almas sintonizadas.

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Pureza do olhar

A fotógrafa captou em suas lentes a pureza do olhar índio conectado com sua floresta e depois de  algumas décadas a profunda tristeza desses mesmos povos da floresta perdidos pela interferência do homem branco em sua casa.

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Inhotim

É um rico e precioso documentário sobre a exuberância da floresta Amazônica e dos povos Yanomami, habitantes dos estados de Roraima e Amazonas, no Brasil e na Venezuela. O local foi construído em Inhotim especialmente para abrigar o acervo de Andujar e está dividido em três blocos, a Terra ( imagens da floresta), o Homem, retrata os povos Yanomami, com ênfase nos rituais xamânicos, no cotidiano, na casa em seus costumes; e o Conflito – que mostra as diversas frente de contato com o branco, processo que levou o engajamento da artista na luta pelos direitos dos povos indígenas.

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As lentas conduzidas pelas mãos sensíveis de Cláudia Andujar conseguiram captar flagrantes tão eloquentes, de alegria, gozo, tristeza, desilusão, que um observador mais atento é capaz de perceber e se sintonizar nesse diálogo entre a fotógrafa e o indígena.

Cinco anos

‘A seleção das imagens é resultado de um processo de pesquisa e curadoria entre a instituição e a artista que durou cinco anos. Grande parte das imagens é inédita e foi selecionada e impressa pela primeira vez para exposição inaugural da galeria’. Informação apresentada na Galeria inaugurada em novembro de 2015.

Claudia Andujar nasceu em Neuchatel (1931), Suiça, e naturalizou-se brasileira no início dos anos 50. Nas décadas de 60 e 70 começou a fotografar a Amazônia e foi quando iniciou a sua luta pela preservação do povo Yanomami, tendo sido uma das fundadoras da comissão para criação do Parque Yanomami.

Olhar Crítico

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A artista exprimiu nas imagens seu amor por um povo. Foi visionária ao mostrar as consequências do choque entre o branco, a floresta e o índio antes de qualquer manifestação oficial. Documentou o que esse contato provocou de destruição e epidemias na região Amazônica, sobretudo pelo garimpo ilegal. Entre 1981 a 1983 fez novas imagens bem diferentes daquelas feitas em 1970.

Pela Comissão de Criação do Parque Yanomami (CCPY) levou médicos da Escola Paulista de Medicina para entender a situação de saúde daquelas populações já tão afetadas pela interferência do branco. ‘Como o índio não tem como cultura o uso de nomes próprios, usava a técnica de identificá-los marcando-os com números. Os dados levantados serviram de base para o relatório Yanomami (1982), documento fundamental para demarcação das terras indígenas’.

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As 500 fotos expostas na Galeria de Inhotim contam a história do verdadeiro brasileiro – o índio. Mostram sua relação com a floresta, seu jeito de viver e quais as consequências provocadas por um contato mal conduzido pelo  homem branco.

Deixá-lo viver em paz dentro de seu habitat natural é preservar conhecimentos ancestrais sobre o uso da floresta. É garantir a sobrevivência da espécie humana.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

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