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Será que um muro poderá devolver a paz interior

As Muralhas da China, o Muro de Berlim e agora o Muro em Calais, na França, com quatro metros de altura para conter a entrada dos refugiados na Inglaterra e na França. A construção deverá ser concluída até o fim do ano, com cerca de dois quilômetros de cumprimento e custará aos cofres do governo britânico “apenas 2 milhões de libras”.

Por que falar sobre isso

Vocês estão perguntando por que falar sobre isso num site de arte e entretenimento?

Simples. Reflete o que os artistas estão colocando em suas obras ativistas, em especial na Bienal de São Paulo – Incerteza Viva.

muralha-da-china

foto via internet do site www.infoescola.com

Calais

A história está aí para provar, as Muralhas da China não protegeram eternamento o Império Chinês, o Muro de Berlim gerou um dos episódios mais tristes da humanidade. Agora Calais, como se não bastasse a insensatez do homem em acreditar que uma construção de quatro metros irá salvar a Europa dos ataques terroristas.  Nos poupem dessa imbecilidade!

Reino Unido

Como escreve o site italiano, Exibart, num artigo sobre o assunto, “se a decisão não fosse do Reino Unido, que é o lugar por excelência onde as pessoas falam a língua do planeta e um dos países que mais colonizou  no mundo, você provavelmente o teria feito em fatias”.

Para o governo britânico, com aval do francês, a iniciativa impede a entrada de pessoas que fogem da fome, da guerra e da destruição, e basta. Lavam as mãos ao que se passa em sua volta e vão cuidar do “seu belo gramado inglês”, como reforça a jornalista MB, no site italiano.

Olhar no umbigo

Me faz lembrar do livro “Ensaio Sobre Cegueira” do autor português José Saramago. É mais ou menos, a grosso modo, o que o autor trata na sua história, na hora do desespero todos olham apenas para o seu próprio umbigo. O mote da história é que as pessoas vão ficando cegas e as que ainda não estão se afastam e o caos começa a se instalar sem controle.

É tão absurda e frágil a ideia de se construir um muro para conter invasões  indesejáveis e perigosas, quanto crer que essa será a solução para o problema.

Exibart

Transcrevemos aqui, a crítica do Exibart italiano:

migranti

Artigo

“Se não fosse porque o Reino Unido é o lugar por excelência onde as pessoas falam a língua do planeta, e um dos países que colonizaram o mundo, já estaria provavelmente em fatias.

Primeiro a Brexit, que parecia utopia, e agora uma ameaça que poderia ser mais um projeto: um belo muro, em Calais, 4 metros de altura e de comum acordo com a França. “Et voila”, acaba o problema dos imigrantes clandestinos e cada um  vai cuidar de seu belo gramado inglês.

Ela poderia realmente ser a realidade, com apenas dois milhões de libras para dois quilômetros de largura e quatro metros de altura.

Sugerimos, nesse ponto, de levantar um belo muro em todas as praias dessa grande ilha (Itália), dessa forma tudo estará protegido desses novos monstros do Lago Ness, que todos os dias tentam atravessar o canal, mas, na realidade eles param no que era antes selva e agora o maior campo de refugiados na Europa recentemente desocupado.

O muro, de acordo com as teorias, deve ser pago integralmente pelo governo britânico e será uma barreira de concreto em torno da estrada que leva ao Ferryboat para Dover, para o túnel e para os trens que circulam sob o mar: em resumo, os únicos pontos de fuga para libra.

Sejamos francos: essas condições éticas, paramos para refletir  um pouco, nenhum europeu vagamente consciente teria interesse de colocar um único euro para tocar em um ponto sempre nevrálgico, os amigos ingleses.

Você sabe qual é a verdade? Que o muro se for feito, não moverá um milímetro para conter a imigração ilegal ( 0u talvez alguns quilômetros) e eles sabem perfeitamente disso também nos palácios, tanto que o mesmo Ministro da Imigração britânico, Robert Goodwil, disse que o objetivo de interromper o embarque e desembarque das embarcações e o ingresso no túnel europeu.

Resumindo os imigrantes não devem perturbar.

E se vizinho perturbar

Mas entre a sua casa e o seu vizinho, que à noite ouve música alta e faz o cachorro latir sem se perturbar ou se preocupar com outras partes, não existe um muro?

E você acredita que uma fileira de alguns tijolos pode, mais uma vez, fazer você dormir bem?”

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

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