Itália envergonhada cobre o nu de seus tesouros artísticos

O moleque
27 de janeiro de 2016
Italia puritana copre il nudo dei suoi tesori artistici
31 de janeiro de 2016
Exibir tudo

Nella combo a sinistra la Venere Capitolina, e a destra la statua coperta durante la visita del presidente iraniano Hassan Rohani. Roma, 26 gennaio 2016. ANSA/

A decisão do governo italiano de cobrir o nu de algumas esculturas no Museu Capitolino, em Roma, em respeito à visita do presidente iraniano, Hassan Rohani, esta semana, deveria entrar para anais da História como um fato semelhante aos pudores do clero no século XVI, quando as esculturas clássicas gregas e obras de arte foram adulteradas em nome de uma falsa moral.

A justificativa de não ferir a sensibilidade cultural do líder do Irã é uma desculpa infundada e reflete, na verdade,  a dificuldade com que a cultura europeia tem de lidar com a nudez.

Itália puritana

Uma espécie de memória atávica que tem exemplos no Concílio de Trento, em 1563, quando se outorgou ao clero a tarefa de vigiar a correta observância dos princípios católicos.  “O papa Paulo IV ordenou em 1559 a Daniele da Volterra cobrir com roupas as partes íntimas das figuras do Juízo Final da Capela Sistina realizadas pouco antes por Michelangelo – por esta ação Volterra foi chamado desde então il Braghettone, o calções”. Fonte wikipédia.

A partir daí não foram poucos, mas inúmeros os casos de ataques moralistas por parte do clero e os registros na história sobre as agressões aos artistas e às obras. Para isso, basta pesquisar em sites especializados e saber como as esculturas clássicas gregas foram vestidas com folhas de parreiras ou então castradas.

“Ao contrário do que se pode imaginar, a folha de parreira teve vida longa nos museus e galerias europeus e americanos e durou até o século 20”, escreve a jornalista e antropóloga Paula Diehl, no artigo “A covarde folha de parreira”. Ela foi cobrir em Munique, na Alemanha, em 2000, uma exposição “Das Feige (n) Blatt” ( Folha de Figueira), uma mostra que ironizava o problema da nudez na cultura ocidental.

Essa semana foi embaraçoso para os italianos que amam a arte e tem orgulho de sua cultura. Eles foram obrigados a se deparar com uma Itália que se envergonha de seus tesouros artísticos. É bufo, é zombaria do poder para com os cidadãos!

 

 

 

Comentários Facebook

comentarios

Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

Os comentários estão encerrados.