Frida Kahlo e artistas mexicanas surrealistas numa mostra inesquecível

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Frida Kahlo Conexões entre Mulheres Surrealistas no México”  foi uma mostra  inesquecível. Apresentada em São Paulo,  não se prendeu somente às obras de Frida Kahlo (1907-1954), que são apenas 20, das 143 que produziu em toda a sua curta vida, mas dimensionou a artista dentro do surrealismo, com mais 15 mulheres todas entrelaçadas na trama do período na história da arte e na cultura nativa mexicana.

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Mulher Saindo do Psicanalista – Remédios Varo (1908-1963)

Na leitura de PanHoramarte é a mostra que oferece um percurso mais interessante, talvez mais completo, sob o ponto de vista do período histórico e do movimento artístico, comparando com as outras duas descritas e visitadas em 2014, em Roma e em Curitiba (fotografias) que focaram diretamente na vida de Frida Kahlo e sua contribuição para a história da arte. Ambas aconteceram em meados de 2014.

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Arista Viajando Incógnita (1943) – Leonora Carrigton(1917 – 2011)

O destaque dado pelo Instituto Tomie Ohtake, com a excelente curadoria de Tereza Arcq apresentam um conteúdo enriquecido sobre Frida Kahlo, oferecendo assim ao público mais informação e obras sobre o mesmo tema.

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Trajes de gala Tehuana e Nahus-Zapoteco

A produção surrealista das mulheres mexicanas é misturada às suas raízes culturais “diferente dos países onde essa expressão já está mais domesticada”, como se refere o texto de apresentação do Instituto Tomie Ohtake. Sem dúvida, a poética surrealista elaborada por essas mulheres é tramada em fios que se conectam com a identidade e autorrepresentação, o corpo feminino, maternidade, família,a influência da cultura mexicana, o pensamento mágico, a exploração do inconsciente e mundo dos sonhos.

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Altar da Madona Dolorosa. Maria Izquierdo. 1946

Mulheres ousadas e criativas que viveram num tempo em que a rigidez moral as anulava ao ponto de se envergonharem de pronunciar palavras como nádegas, “era a coisa que eu me sento”, como pernas, “a coisa com a qual ando”. Mulheres que imprimiram na sua arte os seus anseios e sonhos em períodos conturbados da história universal ( Segunda Guerra), no México (pós-revolução).

É importante assistir o vídeo-documentário, com depoimentos de amigos e pessoas que conviveram com Frida Kahlo. Isso deve ser feito antes de visitar a mostra. A partir daí, entre “esculturas, pinturas, fotografias, documentos, registros fotográficos, catálogos e reportagens, o observador se conectará com a poética das artistas e entenderá o legado que elas deixaram para a humanidade.

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Moisés e o Abraço Amoroso. Frida Kahlo.

Entre as obras de Frida Kahlo podemos apreciar Moisés e o Abraço Amoroso, vários autorretratos, com macacos, com trança, na cama e com Diego Rivera no pensamento. É uma pena que não estão telas contundentes em que artista transfigura a sua dor em cores e símbolos, como a Arvore da Esperança se Mantém em Equilíbrio ou Coluna Quebrada, que se encontram no Museu de Olmedo, no México.

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Autorretrato com trança. Frida Kahlo. 1943

Quanto as mulheres surrealistas, algumas fizeram parte do movimento em Paris, por intermédio de seus companheiros, outras foram descobertas pelos surrealistas num evento internacional sobre o tema, no México, em 1940, “utilizaram a sua obras como meio de exploração e catarse psicológica e espiritual”, escreve a curadora. “As artistas representadas aqui demonstram que as mulheres eram criadoras independentes e audazes, tendo elaborado linguagens e discursos imaginativos e inovadores”.

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Remédios Varo. Carroça.

A questão mais importante da mostra, que permanece até janeiro, como define o Instituto Tomie Ohtake é a enigmática rede de espelhos de Frida Kahlo, que amplia, com um acervo expressivo, a visão e o entendimento do público no bem traçado trabalho elaborado pela curadora.IMG_6252

 

 

 

 

 

 

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

1 Comment

  1. mari weigert disse:

    Vale a pena ver! É uma mostra muito didática Lúcia e apresenta Frida Kahlo com mais paixão!

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