O vermelho no pavilhão do Japão. Obsessão ou fascínio…

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Interessante foi entrar no pavilhão do Japão, na 56a. Mostra Internacional de Artes da Bienal de Veneza e ser acolhida pela  instalação The Key in the Hand ( A chave na mão), da artista Shiharu Shiota, depois de ter visitado outros pavilhões e trabalhos artísticos, quase todos exigindo do nosso olhar conjecturas  e conceitos profundos. A cor vibrante no pavilhão japonês, a  poética da obra, seja pela obsessão ou pelo fascínio, me provocou, me deixou sem pensar num primeiro momento.

IMG_4698As chaves, que são o ponto de partida no conceito da instalação, foram à primeira vista apenas objetos entremeados à malha, fios vermelhos tecidos em várias direções e unidos em uma só conexão sob dois barcos rústicos de madeira. Quando observei as chaves, efetivamente, resultado de doações do mundo inteiro, despertei do transe, daqueles minutos em que fiquei sem pensar…

IMG_4716O pavilhão do Japão se destaca pela alcance do seu conceito  e não pela obra ser “bela e de gratuito efeito”, como definiu a jornalista Sheila Leirner. “As chaves nos conectam com os outros e os barcos transportam pessoas e tempo”, explica a Shiharu Shiota. Tão simples e capaz de nos elevar à meditação, ao ato de permanecer com a mente limpa de pensamentos. Esse é o mote.

Talvez pela angústia em se deparar com a problemática social de “Todos os Futuros do Mundo”, elaborada pelo curador o nigeriano Okwui Enwezor, a instalação da artista japonesa me acolheu, me provocou. Apresentou  a contemporaneidade com vibração e em vermelho, que nos remete a algo que é intenso, belo ou doloroso. Os barcos de madeira rústicos significam que a direção pode ser demarcada pela simplicidade.

Tomie-Ohtake-Sem-Titulo-1987-acrilica-sobre-tela-150-x-150-size-598O vermelho de Shiharu Shiota me fez lembrar o vermelho de Tomie Ohtake (1913-2015) em telas que jamais esquecerei.  Sua obra em vermelho vibra e provoca tanto quanto o vermelho de Shiota. Uma obsessão ou fascínio?

 

 

 

 

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

1 Comment

  1. Maí disse:

    Obra deslumbrante e crônica/crítica muito bem colocada, ainda mais em tempos de emigrações em massa pelas guerras insanas. Seu blog está ótimo, melhor a cada dia, parabéns.

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