Malícia de Bernini contra Borromini na Piazza Navona

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Bernini provocou Borromini. A mão da escultura sugere que a Igreja irá cair

A partir de uma posição estratégica do olhar, a escultura de  Gian Lorenzo Bernini (1598-1680), inserida na  Fonte dos Quatro Rios, a que está à frente Igreja de Santa Agnes em Agone, na Piazza Navona, em Roma, sugere ao espectador, pela mão erguida, que está tentando se proteger de um possível desabamento da igreja.

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A travessura de Bernini se é verdadeira ou não, ninguém sabe.

Mas deve ter surgido para justificar a rivalidade que existia entre ele e o arquiteto Francisco Borromini (1599-1667) que fez a igreja. Os dois artistas disputavam na época o título de Grande Mestre.  A história ainda é contada entre os romanos em tom de diversão e brincadeira.

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A rivalidade, no entanto, entre os dois artistas e arquitetos do barroco italiano é célebre e registrada na história.

A Fontana dei Quattro Fiume ( Fonte dos Quatro Rios) foi projetada por Bernini com figuras representando os rios dos quatro continentes, o Nilo, o Danúbio, o rio da Prata e o Ganges.

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Fontes magníficas

Lenda ou verdade, o fato é que as obras de Bernini são magníficas e colocam a Piazza Navona como roteiro turístico obrigatório numa estada em Roma. Principalmente, porque o local registra dois tempos na história da arte, o de estrutura barroca, protagonizado por Bernini no planejamento e criação das três fontes, mais recente, e a história do local, que era um estadio romano, de Domiciano, construído pelo imperador do qual recebeu o nome, no ano 85, cujas ruínas ainda são visíveis nos subterrâneos da igreja e de alguns palácios situados ao redor da praça.

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Ruínas do portal do estádio Domiciano. Foto Internet http://turismoemroma.com/estadio-domiciano-subterraneo-praca-navona/

Romanos

O estádio foi construído para jogos atléticos pelo imperador Domiciano, com base num modelo grego, com uma área que media 275 metros de comprimento por 106 de largura e um dos lados curvalíneo. Passou por restauração no ano 228, na época do imperador Severo Alexandre e depois foi progressivamente se desmontando. O lugar foi ocupado, no Renascimento, por uma praça que repetia exatamente o seu formato e as suas dimensões, conservando o lado curvalíneo ao norte.

O seu nome deriva provavelmente dos jogos que ocorriam naquela área, da expressão latina “in agone”, teria passado com o tempo, à palavra italiana “nagone”e, depois à definitiva transformação em “navona”- grande navio – devido ao seu formato. No século XVI já era área favorita dos nobres que habitavam Roma. Neste século surgem os esboços das duas fontes que hoje fazem parte das extremidades da praça: Fontana Del Nettuno e Fontana Del Moro.

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Foto Internet. www.hotelbailey.com

 

No século XVII, no pontificado de Inocêncio X ( 1644-1655), a praça atinge o auge da sua transformação arquitetônica. A Bernini coube remodelar as duas fontes e construir uma central, a dos Quatro Rios, e a Borromini foi delegada a tarefa de construir a igreja de Santa Agnes in Agone. As obras aconteceram entre 1653 a 1657.

Borromini sofreu críticas mordazes ao construir a fachada da igreja de forma côncava para criar um efeito óptico que ampliasse o desenho da cúpula,uma novidade arquitetônica para a época. A suspeita popular era de que a fachada da igreja não se sustentaria diante do peso. O tempo provou o contrário, quatro séculos depois de construída, Santa Agnese in Agone continua imponentemente de pé.

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Mari Weigert
Mari Weigert
Mari Weigert é jornalista com especialização em História da Arte pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Atuou na área de cultura, como jornalista oficial do Governo do Paraná. Durante um ano participou das aulas de Crítica de arte de Maria Letizia Proietti e Orieta Rossi, na Sapienza Università, em Roma como aluna ouvinte. Acredita que as palavras bem escritas educam e seduzem pelos seus significados que se revelam na poética da vida. *IN ITALIANO (Mari Weigert è giornalista e perfezionata in Storia dell' Arte per la Embap, del Brasile. Durante un anno è stato alunna di Critica d'Arte, alla Sapienza Università di Roma. Crede nelle parole ben scritte che seducono per le sue significate in cui rivelano la poetica della vita.)

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