O carnaval na Vila de Ponta Negra, preserva sua história e tradicões culturais. O seu DNA!
A afirmação não é nossa. Sim, da Produtora e ativista da Cultura, Maria Marhé, que acompanha as rendeiras e os grupos de cultura no resgate da memória viva e pulsante dessa comunidade tão tradicional de Natal, no Rio Grande do Norte.
“O carnaval de raiz na Vila de Ponta Negra, em Natal, é um ecossistema à parte”,diz ela.
“Enquanto a cidade se modernizava, a Vila preservou um DNA festivo e folclórico que remonta aos antigos pescadores e rendeiras, nos quais a folia não era apenas consumo, mas identidade”.
O acompanhamento de Maria é tão envolvente para ela, que ao explicar seu ativismo nos leva a sentir a intensidade do que faz durante o tempo em que está com a comunidade. Vale vivenciar essa emoção expressa no seu texto pleno de poética artística.
História do Carnaval das Antigas
“Antigamente, o Carnaval da Vila era marcado pelo som das latas , pelo coco de roda, marchinhas e, principalmente, pelas figuras folclóricas que saíam das casas dos moradores. Não havia separação entre público e artista; a rua sempre foi o palco. O povo celebrava a sobrevivência e a fé, misturando o profano do Carnaval com a herança dos folguedos populares. Com o tempo, essa força tradicional encontrou novos fôlegos para não ser engolida pela “folia de abadá” e “paredes de som” com músicas que nada tem haver com Carnaval. O protagonismo dessa resistência cultural hoje passa pelo Cordão Multicultural Burrinha Pintadinha e o Jaraguá. O grupo faz um trabalho vital de salvaguarda, inclusão das artes plástica em camisetas e material de divulgação”.
Aqui começa a história de resgate de uma memória, que envolve folguedos e brincadeiras, A burrinha pintadinha e o Jaraguá.
” Trouxeram de volta à cena o Jaraguá — criatura mítica do folclore potiguar que assusta e diverte os foliões — e a própria Burrinha, ícones que estavam adormecidos na memória dos mais velhos e fazem parte do Boi de reis”
“Quando o Jaraguá avança sobre a multidão e espalha prosperidade e recebe donativos e a Burrinha Pintadinha dança, eles estão reescrevendo a história da Vila, garantindo que o progresso urbano não apague as pegadas de quem construiu esse lugar sobre a areia e o mar.”
“o Significado dos cordões, troças, blocos
para o cronista ou o jornalista atento, o bloco na Vila de Ponta Negra não é apenas um agrupamento de pessoas. Ele é um território móvel.
”O bloco representa a ocupação do espaço público pelo afeto
“O significado maior é o pertencimento. Cada estandarte que sobe a ladeira da Vila é um manifesto de que a cultura potiguar está viva, pulsante e, acima de tudo, é para todos.
CULTURA VIVA E PULSANTE!
Mestra Zefinha cantando a música da Burrinha no ensaio.
As fotos acima mostram as mestres rendeiras Arraia, Darlene e Denise fazendo a manutenção no Jaraguá. Portanto, para os moradores, pescadores e rendeiras da Vila de Ponta Negra, o carnaval de três dias é apenas um resumo de um trabalho dedicado durante o ano.
Então, ao final, todos concordam comigo que carnaval quando uma comunidade acolhe como manifestação cultural, acolhe também a imaginação, a diversidade e o brincar coletivo.

