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Eu penso que falamos muito sem necessidade.

Todas as palavras que verbalizamos estão desnecessariamente juntas, a maior parte  delas não têm a força de uma única palavra. Não contam nada! Falamos, falamos, falamos… não pensamos, nem escutamos. Só tagarelamos e gostamos tanto de tagarelar que a fala fica vazia de conteúdo, como um brinquedo de pilha repetindo a mesma frase até a bateria acabar.

Nossas vidas estão passando e nós sempre fazemos essa confusão. Sem saber quais os momentos certos para falar e os para escutar não conseguimos estar em equilíbrio. As palavras precisam ter valor, devem sair da boca de forma singela e naturalmente. A pessoa deve dar valor à palavra que usa, atribuir a ela um significado, revelar através de seu uso um sentido. Na realidade creio que 20 % do que falamos num dia já é o suficiente para tal feito.

Silêncio na antiga China

Na antiga China existiam escolas do silêncio, no século III AD, a mais antiga escola era “Ç”. As pessoas aprendiam nessa escola a arte de silenciar a mente – o que significa “mente na mente”. Antes de Sidarta se tornar Buda – um dia se sentou em baixo da árvore Bodhi, em posição de meditação – ele descobriu sua Casa do Silêncio Interior e derrubou suas vigas, passou para o espaço vazio. Agora ele fica além do tempo e do espaço, na profundidade do eterno, na tranqüilidade, além disso, ninguém pode chegar até ele.

Na Europa também existiam seitas, nas quais a principal regra era o silêncio. Trappe – uma seita monástica na qual o silêncio era a principal regra -apareceu no século XII DC.

Na vida em sociedade sempre pensamos e nos comportamos superficialmente. Nós discutimos os acontecimentos, conceitos. Todas as coisas  explicamos com conceitos e, na maioria das vezes, estamos errados. É como permanecer na água rasa, sem profundidade e dessa forma não captar a dimensão filosófica da vida. Atualizamos os conceitos e descansamos, pensando que descobrimos todos os segredos da vida.

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Devemos ter uma água tranqüila no interior de nós mesmos, semelhante ao mar, no qual a superfície se movimenta muito, como um furacão, com ondas gigantes, navios afundando… Embora na sua profundidade tudo permaneça tranqüilo. O caminho a ser seguido é aquele que chegar até a profundeza do mar, onde encontramos o início da nossa Casa do Silêncio. Nós podemos descansar na tranqüilidade do mar e depois ganhar nosso poder, para emergir e lutar com as ondas gigantes novamente.

Todos nós temos uma Casa do Silêncio, mas precisamos descobrir onde ela está. Em certos momentos temos que entrar nessa casa e  refletirmos sobre nós e nossa vida. Isso vai nos trazer, sem nos sacudir, tranqüilidade interior. Depois que alcançarmos esse nível teremos poder para enfrentar as injustiças da vida. E não será qualquer tempestade que poderá nos derrubar.

Convido você para descobrir sua tranqüilidade e a profundidade do seu silêncio.

 

Com amor,

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Erol Anar
Erol Anar
Erol Anar nasceu em Havza na Turquia, estudou em cursos de Antropologia (durante dois anos), História da Arte (durante dois anos) e pintura (durante um ano) nas universidades de Istambul, Ancara e Samsun. Foi membro da Associação dos Escritores Turcos, trabalhou no Centro de Arte Contemporânea de Ancara onde foi orientador de leitura da obra de Dostoiévski e da literatura universal durante 10 anos. Ganhou prêmios. Escreveu em diversos jornais, vários artigos foram sobre arte, direitos humanos, literatura e a vida cotidiana. Ainda teve entrevistas veiculadas em jornais de diversos países e tem 15 livros publicados no idioma turco.2 Deles foram traduzidos para português.

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