Quem não descobre a si mesmo acredita que é perfeito

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Por Erol Anar / “Pessoas Perfeitas existem, claro que existem (?)!” . Eles se dizem tantos que se os contarmos nos parecerá inacreditável. Quem não descobre a si mesmo acredita que é perfeito. Quem não confia em si mesmo, se esconde atrás de uma máscara e fica com a aparência de poderoso mesmo com sua personalidade pobre. Esse tipo de pessoa julga todas as outras, e julga cruelmente. Segundo seu julgamento todo mundo é pouco inteligente, ruim e sujo. No enorme planeta Terra só existe ele de limpo e bom, conhece tudo, observa tudo e comenta coisas certas. Fica atrás de seus conceitos imutáveis e da velha vida superficial. Canta com seu ar de superioridade e orgulho as mesmas músicas como um disco estragado. Porém, só os conceitos e conhecimentos não podem explicar a substância da vida! Mas esse tipo de pessoa não aprendeu isso… e passeia superficialmente pela vida. Quem quer compreender a substância da vida precisa ir além, agarrar a vida profundamente, psicológica, filosófica e historicamente, acumulando e fazendo intersecções entre o que sabe com esses dados, tudo isso somado à sua própria experiência de existir.

Existem muitas pessoas na sociedade desse tipo: perfeitas e superficiais.

Na realidade essas pessoas não conseguem ser felizes. Pequenos acontecimentos os fazem reagir com muita intensidade, como uma voz desafinada num concerto, eles não aceitam nenhuma crítica para si mesmos.
O velho Murin fala o seguinte no livro de Dostoiévski “A Dona de Casa” : – “ um homem fraco não pode viver sozinho, não tire isso de sua mente! Dê para ele todas as coisas, ele deixará tudo e correrá para você novamente. Doe para ele metade do mundo e ele não vai pensar em dominar, vai diminuir ele mesmo e vai se encolher com medo, até ficar do tamanho de um sapato. Se você der a liberdade para um homem fraco ele a colocará numa sacola e devolverá para você, entregará tudo. O que irá fazer com a liberdade um coração sem a mente?”.
“Café da manhã Existencialista” Erol Anar

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Erol Anar
Erol Anar
Erol Anar nasceu em Havza na Turquia, estudou em cursos de Antropologia (durante dois anos), História da Arte (durante dois anos) e pintura (durante um ano) nas universidades de Istambul, Ancara e Samsun. Foi membro da Associação dos Escritores Turcos, trabalhou no Centro de Arte Contemporânea de Ancara onde foi orientador de leitura da obra de Dostoiévski e da literatura universal durante 10 anos. Ganhou prêmios. Escreveu em diversos jornais, vários artigos foram sobre arte, direitos humanos, literatura e a vida cotidiana. Ainda teve entrevistas veiculadas em jornais de diversos países e tem 15 livros publicados no idioma turco.2 Deles foram traduzidos para português.

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