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Por Erol Anar / Depois das chuvas fiquei apaixonado, mas pensava sobre o final desse amor e antes da chuva acabar saí rápido, pois não gostava de finais. Tudo existe num momento, os momentos são bonitos enquanto acontecem, mas melancólicos quando recordados. Pagamos os momentos de felicidade ganhando a tristeza da lembrança. Todas as coisas que acabam lembram a morte porque nossa vida esta acabando a cada minuto. Mesmo assim eu queria aumentar tudo.

No resto não havia mais dívida com a tristeza, nem para você, nem para a solidão. É importante primeiro pagar nossos empréstimos pessoais e quem não faz isso fica incapaz de vivenciar sua solidão, sua melancolia e sua felicidade. Já nascemos com empréstimos próprios e também herdamos da humanidade. Quem não paga seu empréstimo pessoal não irá pagar para a humanidade tampouco, depois cairá ao chão.

Depois me recordei do meu primeiro amor, daqueles dias nos quais tinha 40 graus de febre e mesmo assim queria ir à escola só para ver o rosto dela. Nos intervalos das aulas colocava cartas de amor dentro da jaqueta dela, sentindo medo. Ela se identificava com a sua jaqueta vermelha. Aonde ela esta e o que faz agora?Não sei! Mas nós dois estamos esquecidos e nos deterioramos como aquela jaqueta vermelha e as cartas de amor. Anos atrás escutei que ela havia casado e tornara-se professora. Será que tinha filhos e estava feliz? Talvez ela de vez em quando também relembre da nossa infância, como uma água turva.

 Perdemos muitos amores

Não perdemos apenas as folhas do calendário dos dias e meses  que se passam, perdemos nossos amores também. Eu não queria ser um viajante que perdeu seu trem, nem queria andar nos trens dos outros.

Num dia acordava numa densa floresta escura e verde, andava com dificuldade nela e meu corpo sangrava. Vagarosamente continuava andando. Nossas vidas não são assim? Sempre temos que ir em frente e só paramos quando chega o nosso fim.

Cheguei até uma montanha, no mês da melancolia e na estação da solidão, ali encontrei com um bando de lobos famintos. Estes não fizeram nada, só me olhavam com seus olhos famintos e tristes, cheios de melancolia. Eles compreenderam minha missão de subir até o topo dela, no qual finalmente cheguei. Vales e terras corriam para longe, toda a natureza era branca como se estivesse vestindo-se de branco enquanto a luz tímida do sol brilhava. Joguei meu corpo dentro da nevasca e mergulhei dentro do meu coração.

Eu te esqueci nos caminhos distantes

E por lá me lembrei de mim …

 

© erol anar

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Erol Anar
Erol Anar
Erol Anar nasceu em Havza na Turquia, estudou em cursos de Antropologia (durante dois anos), História da Arte (durante dois anos) e pintura (durante um ano) nas universidades de Istambul, Ancara e Samsun. Foi membro da Associação dos Escritores Turcos, trabalhou no Centro de Arte Contemporânea de Ancara onde foi orientador de leitura da obra de Dostoiévski e da literatura universal durante 10 anos. Ganhou prêmios. Escreveu em diversos jornais, vários artigos foram sobre arte, direitos humanos, literatura e a vida cotidiana. Ainda teve entrevistas veiculadas em jornais de diversos países e tem 15 livros publicados no idioma turco.2 Deles foram traduzidos para português.

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