Adesso sono profani i luoghi che erano sacri in tempi antichi.
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22 de maio de 2015
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Na hora marcada

O rapaz elegante adentra o jardim

Tão nervoso, por um triz não levou um escorregão

Vexame que poderia colocar em risco sua fama de valentão

Munido de uma rosa na mão

E com ares de galante conquistador

Tenta impressionar a mocinha

Que tinha um olhar lânguido como de uma fuinha

A coitada estava exasperada

Com receio que tudo acabasse em marmelada

O rapaz parecia ser um bom partido

Apesar da panca de metido

No fundo do quintal

O cachorro desconfiado deu um estridente latido

Sentaram-se no banco

Sem saber o que dizer

Ele havia escrito um discurso romântico

Mas no calor da emoção

As palavras de sua cabeça desapareceram de sopetão

O coitado começou a gaguejar

A mocinha em pensamento a praquejar

À certa altura e nada acontecendo

Ambos não conseguiam conter um irresistível bocejar

O silêncio era de amargar

Aquele romance de jardim parecia estar fadado a fracassar

Antes mesmo do próximo olhar se cogitar

O tempo foi passando

E o nervosismo mútuo pouco à pouco se dissipando

Ele de repente lançou uma bela piscada

Que causou no coração da moça uma fisgada

Estavam enamorados finalmente

Ambos agora promissores pretendentes

O rapaz tomou coragem e lascou um beijinho na moça

Que cheirava à detergente de lavar louça

O rosto dela ficou vermelho como uma cereja

Após sentir dele um bafo pesado de cerveja

A vizinha que observava à tudo atrás do muro

De tanta curiosidade ficou com o pescoço duro

Não conseguiu conter a emoção

De ter  muito para fofocar na próxima procissão

Mulher de língua comprida

Que de tanto falar pelos cotovelos

Criou na língua um calo

Duro como de um brócolis o talo

À certa altura da conquista

O rapaz tentou avançar o sinal

A mocinha ofendida lhe lascou uma bofetada

Que senhora raquetada!

O rapaz nocauteado perdeu os sentidos

Sem dar-se conta, primeiro, dos pecados cometidos

A mocinha arrependida

Jogou-se no chão

Para socorrer o bonitão

Passou a alisar dele o viçoso bigodão

Que mais parecia um maço de algodão

Quando o pobre ainda atordoado pela chapuletada

Pediu que a moça lhe desse com amor um beijo

Uma legião agora de bisbilhoteiras

Se posicionaram atrás da vegetação

Em pelotão

Todo mundo queria ver

Que rumos levaria  aquele romance de revista

Desabrochando em direção ao anoitecer

O rapaz depois do beijo

Sentiu-se leve como um pão de queijo

Perdidamente apaixonado estava

Pela mocinha desnaturada

O namoro de jardim

Acabou na porta da igreja

Depois de uma cerimônia benfazeja

Os dois pombinhos

Para a lua-de-mel partiram

Em amor e paixão se confundiram

Foram felizes e muito riram

Juntos para sempre

Almas gêmeas se descobriram

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comentarios

Simone Bittencourt Shauy
Simone Bittencourt Shauy
Enfermeira, escritora e ilustradora. Escrever para ela é intuição e exercício de liberdade.

2 Comments

  1. Mari Weigert disse:

    Adorei este poema irreverente Simone. Ao mesmo tempo tem a doçura dos tempos que não voltam mais.

    • Muito obrigada, Mari! Pois é, os velhos tempos de namoro de portão! É bom celebrar os anos dourados e aqui, queria também, colocar uma pitadinha de humor, que não faz mal a ninguém. Um abraço e muito obrigada pelo comentário!

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